Família de Mãe Bernadete Recebe Indenização do Estado, Marcando Reconhecimento Após Assassinato

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O Governo da Bahia concluiu o pagamento da indenização aos familiares de <b>Mãe Bernadete</b>, proeminente líder quilombola cujo brutal assassinato, ocorrido em agosto de 2023, em Simões Filho (Região Metropolitana de Salvador), chocou o país. Esta reparação, parte de um acordo extrajudicial envolvendo o Estado da Bahia, a União e a família da vítima, representa um passo significativo no reconhecimento da gravidade do crime e da contínua luta por justiça e proteção das comunidades quilombolas.

Acordo de Reparação: Um Reconhecimento Formal

A formalização do pagamento da indenização, intermediada pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, concretiza uma medida de reparação que a <b>Procuradoria Geral do Estado</b> descreveu como “uma forma concreta de reconhecer a gravidade do ocorrido”. Embora os valores envolvidos permaneçam confidenciais, o acordo transcende o aspecto financeiro, simbolizando um compromisso institucional com a memória de Mãe Bernadete e com a causa dos direitos humanos. Este desfecho extrajudicial também elucida o arquivamento da ação civil pública de R$ 11,8 milhões por danos morais que a família havia movido anteriormente.

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Mãe Bernadete: Legado e a Brutalidade de um Crime Político

Mãe Bernadete, integrante ativa da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), foi executada dentro de sua residência, no <b>Quilombo Pitanga dos Palmares</b>, em 17 de agosto de 2023, atingida por 22 disparos. As investigações policiais apontaram que o assassinato foi motivado por complexas disputas territoriais e pela atuação intransigente da líder contra a infiltração de grupos criminosos na área quilombola. Seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da liberdade religiosa e da diversidade cultural a tornou um alvo, mas também um símbolo de resistência e coragem.

A Perseguição Familiar e a Busca Contínua por Justiça

A tragédia que ceifou a vida de Mãe Bernadete não é um evento isolado para sua família. Seis anos antes, seu filho, <b>Binho do Quilombo</b>, também foi assassinado, expondo um padrão alarmante de violência direcionada aos defensores dos direitos quilombolas. A família, que vive sob o impacto dessas perdas, busca não apenas reparação, mas garantia de segurança e o fim da impunidade, como evidenciado pela situação do neto de Mãe Bernadete, que vive sob escolta e sem emprego formal.

O acordo de indenização, na visão de <b>Jurandy Pacífico</b>, outro filho de Mãe Bernadete, possui um caráter tanto simbólico quanto protetivo. Adicionalmente, o pacto inclui a realização de um ato público de homenagem à líder, reforçando a importância de seu legado e assegurando que sua luta por justiça e dignidade não seja esquecida. Essa cerimônia pública serve como um marco para a comunidade e para o estado, consolidando o reconhecimento da sua contribuição.

O Andamento do Processo Judicial e o Compromisso com a Causa Quilombola

No âmbito criminal, a justiça avança com a designação do júri popular para dois dos acusados pela morte de Mãe Bernadete: <b>Arielson da Conceição Santos</b>, que se encontra em prisão preventiva, e <b>Marílio dos Santos</b>, atualmente foragido. O julgamento está previsto para iniciar em 24 de fevereiro, um passo crucial para a responsabilização dos envolvidos. Outras quatro pessoas também foram indiciadas e estão presas pelo mesmo crime, sublinhando a complexidade e a extensão da rede criminosa. A conclusão da indenização, aliada ao progresso das investigações e do processo judicial, sinaliza um esforço para honrar a memória de Mãe Bernadete e reafirmar o compromisso com a proteção e os direitos das comunidades quilombolas, que continuam a celebrar sua memória e a clamar por justiça.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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