Brasil Capta US$ 4,5 Bilhões em Emissão Recorde de Títulos Soberanos no Mercado Global
O Tesouro Nacional do Brasil marcou o início de 2024 com uma bem-sucedida captação de US$ 4,5 bilhões no mercado internacional de capitais. A operação, a primeira do tipo este ano, demonstrou a capacidade do país de atrair investimentos estrangeiros significativos, fortalecendo sua posição financeira global e suas reservas cambiais. A emissão combinou o lançamento de um novo título de dez anos com a reabertura de um papel de 30 anos, gerando grande interesse entre investidores globais.
Estrutura da Captação e os Novos Papéis
A transação estratégica, executada a partir dos Estados Unidos, foi dividida em duas frentes principais. A maior parcela, totalizando US$ 3,5 bilhões, correspondeu à emissão do inédito 'Global 2036', um título com vencimento programado para 22 de maio de 2036. Complementarmente, o Brasil reabriu as ofertas para o título 'Global 2056', com prazo de 30 anos e vencimento em 12 de janeiro de 2056, adicionando US$ 1 bilhão ao montante total da captação.

O Recorde do Global 2036: Características e Cenário de 10 Anos
O novo título de dez anos, o Global 2036, não apenas representou o volume mais expressivo já captado pelo Tesouro Nacional para papéis com essa maturidade, mas também fixou uma taxa de juros anual de 6,4%, com um cupom de 6,25% pago semestralmente. A remuneração aos investidores foi definida com um spread de 220 pontos-base (equivalente a 2,2 pontos percentuais) acima dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Contudo, em comparação com a última emissão de dez anos realizada em novembro, tanto a taxa de juros quanto o spread foram ligeiramente mais elevados, sendo a operação anterior fechada com juros de 6,2% e spread de 210,9 pontos-base.
O Resgate do Global 2056 e a Oportunidade de Longo Prazo
No que concerne ao título de 30 anos, o Global 2056, a captação de US$ 1 bilhão foi realizada com juros anuais de 7,3% e um cupom de 7,25% pago também semestralmente. Notavelmente, o spread desse papel foi de 245 pontos-base (2,45 pontos percentuais) sobre os títulos de 30 anos do Tesouro americano, marcando o menor spread para um título brasileiro de 30 anos no mercado internacional desde julho de 2014 (187,5 pontos-base). Esta performance é ainda mais expressiva quando comparada à reabertura anterior do Global 2056, em setembro do ano passado, ocasião em que os juros foram de 7,5% ao ano e o spread atingiu 252,7 pontos. A redução tanto na taxa de juros quanto no spread reflete uma melhora na percepção de risco para a dívida de longo prazo do Brasil.
Forte Demanda e a Confiança do Mercado Internacional
A operação como um todo demonstrou uma demanda robusta e expressiva, com o livro de ordens, que mede o interesse dos investidores, alcançando aproximadamente US$ 12 bilhões – um valor 2,7 vezes superior ao volume total ofertado. Esta forte procura é um indicativo claro da confiança dos investidores na economia brasileira. O Tesouro Nacional enfatizou em nota que a alta demanda, aliada ao volume recorde e aos spreads competitivos, evidencia a solidez e a atratividade da dívida soberana do Brasil. Tal cenário reforça a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade fiscal e econômica do país, consolidando sua posição como um destino confiável para investimentos de grande porte.
Os US$ 4,5 bilhões captados serão integralmente incorporados às reservas internacionais do Brasil a partir de 19 de fevereiro, contribuindo para a robustez da balança de pagamentos do país e sua capacidade de lidar com choques externos. A coordenação da operação esteve a cargo de renomadas instituições financeiras globais: HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo, atestando a relevância e o alcance internacional dessa emissão bem-sucedida.