Cordão do Bola Preta: Mais de Um Século de Carnaval Vivo e Paixão Carioca
No vibrante cenário do centro do Rio de Janeiro, uma tradição centenária se renovou na manhã de um sábado de carnaval. O Cordão do Bola Preta, ícone inquestionável da folia carioca e o bloco mais antigo em atividade no país, celebrou seu 107º desfile. Mantendo viva a essência da festa de rua, o Bola Preta mais uma vez reuniu uma multidão de foliões, marcando não apenas o início oficial do carnaval, mas reafirmando seu legado como o próprio 'DNA do Carnaval' brasileiro.
Legado e a Alma do Carnaval Carioca
Com uma história que remonta a 1918, o Cordão do Bola Preta transcende a simples condição de bloco carnavalesco para se configurar como um patrimônio cultural e emocional do Rio de Janeiro. Sua longevidade, que atravessou guerras, regimes políticos e até uma pandemia, é um testemunho de sua resiliência e da profunda conexão com a alma carioca. Recentemente reconhecido como patrimônio estadual e com planos para um centro cultural, o bloco reafirma sua relevância histórica, sendo seu tema deste ano, 'Bola Preta, DNA do Carnaval', um tributo à sua própria trajetória ininterrupta. Sua fundação, em 1917, por dissidentes do Clube dos Democráticos que, apesar da proibição policial, persistiram em criar um cordão, e a inspiração de seu nome em uma mulher de vestido de bolinhas, são capítulos vívidos de sua biografia.

O Palco da Alegria e a Multidão de Bolinhas
O desfile do Bola Preta transformou as ruas do centro da cidade em um mar de branco e bolinhas pretas, a indumentária característica dos seus fiéis seguidores. O trajeto tradicional, com concentração na Rua Primeiro de Março e passagem pela Avenida Presidente Antônio Carlos, foi mais uma vez o cenário para uma celebração democrática. Famílias inteiras, desde crianças a idosos, além de cariocas e turistas de todas as partes, uniram-se em um coro de marchinhas clássicas e o inconfundível hino 'Quem não chora, não mama'. A atmosfera vibrante e a energia contagiante são a marca registrada deste bloco que, ano após ano, consegue reunir gerações sob o mesmo espírito de festa e união.
Estrelas e a Paixão do Público
A chegada da Rainha do bloco, a atriz Paolla Oliveira, foi um dos momentos mais aguardados, provocando euforia entre os foliões. Expressando sua felicidade em participar de mais um ano da festa, Paolla destacou a energia inigualável do Bola Preta e a essencial contribuição do público para a magia do evento. A devoção à rainha é palpável, como evidenciado pela foliã Eliane Silva, que, com um cartaz criativo e bem-humorado, expressou seu desejo por uma foto com a atriz, colecionando registros de carnavais passados. Essa interação entre a corte e o público sublinha a proximidade e o afeto que o bloco inspira.
A Corte Real do Bola Preta: Tradição e Renovação
A tradicional Corte Real do Cordão do Bola Preta brilhou à frente do cortejo, representando a rica tapeçaria de talentos e carisma que anualmente impulsiona o bloco. Além da Rainha Paolla Oliveira, a corte contou com Leandra Leal como porta-estandarte, Neguinho da Beija-Flor como padrinho, Maria Rita como madrinha, Emanuelle Araújo como musa da banda, João Roberto Kelly como embaixador, Tia Surica da Portela como embaixadora e Selminha Sorriso como musa das musas. Em uma celebração da continuidade e da evolução, o time foi reforçado pela estreia das musas de 2026 – Lú Bandeira, Flavia Jooris e Andrea Martins – que se juntaram às já estabelecidas Ju Knust, Thai Rodrigues, Taissa Marins, Luara Bombom e ao muso Amauri Junior, todos embalados pela tradicional Banda do Cordão da Bola Preta, sob a batuta do maestro Altamiro Gonçalves.
Compromisso Ambiental e Olhar para o Futuro
Além da festa, o Cordão do Bola Preta demonstra um compromisso com a sustentabilidade. Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco mantém uma parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio, focada na medição e compensação das emissões de gases poluentes dos geradores dos trios elétricos. Essa iniciativa reflete uma consciência ambiental crescente, atestando que a alegria carnavalesca pode coexistir com a responsabilidade ecológica. O bloco, que viu o mundo mudar ao longo de seus 107 anos, prova que é possível honrar o passado enquanto se constrói um futuro mais consciente, mantendo sua essência de alegria e irreverência.
O desfile do Cordão do Bola Preta é mais do que um evento; é uma manifestação viva da cultura carioca, um reencontro com a história e a alegria genuína do carnaval de rua. Sua capacidade de atrair diferentes gerações e segmentos da sociedade, aliada à sua rica biografia e ao compromisso com a sustentabilidade, solidifica seu lugar não apenas como o bloco mais antigo do Brasil, mas como um guardião da identidade carnavalesca. A cada ano, o Bola Preta reescreve sua própria história, reafirmando que sua essência, nascida de uma tradição de resistência e celebração, continuará a pulsar forte no coração do carnaval do Rio de Janeiro por muitos séculos vindouros.