Anvisa Aprova Sephience: Novo Medicamento Traz Esperança para o Tratamento da Fenilcetonúria

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou um marco importante na saúde pública brasileira com a aprovação do registro do medicamento Sephience. Destinado ao tratamento da fenilcetonúria (PKU), uma doença genética rara, este novo fármaco representa um avanço significativo para pacientes pediátricos e adultos que convivem com essa condição metabólica. A medida visa não apenas aprimorar o controle da doença, mas também oferecer uma melhoria substancial na qualidade de vida dos indivíduos afetados.

Um Novo Horizonte no Manejo da Fenilcetonúria

O Sephience atua diretamente no metabolismo da fenilalanina, um aminoácido essencial, porém altamente prejudicial em níveis elevados para quem possui fenilcetonúria. A doença é caracterizada pela deficiência de uma enzima hepática crucial, responsável por converter a fenilalanina em tirosina. Sem essa conversão adequada, o aminoácido se acumula no organismo, com efeitos neurotóxicos graves. A Anvisa destacou que a aprovação do Sephience tem o potencial de auxiliar na quebra dessa substância e, consequentemente, ampliar as possibilidades dietéticas, um fator de grande impacto para o bem-estar dos pacientes que precisam seguir uma alimentação extremamente restritiva.

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Fenilcetonúria: Uma Doença Genética e Suas Consequências

A fenilcetonúria é uma condição hereditária que, se não tratada precocemente e de forma contínua, pode levar a sequelas severas e irreversíveis. O acúmulo de fenilalanina no sangue provoca déficits neurocognitivos e deficiência intelectual grave, além de poder causar distúrbios de comportamento e um odor característico na urina e suor. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a incidência da PKU é de aproximadamente um caso para cada 15 mil a 17 mil nascimentos, o que sublinha a necessidade de terapias eficazes e acessíveis para essa parcela da população.

A Essencialidade do Diagnóstico Precoce e da Triagem Neonatal

A detecção precoce da fenilcetonúria é um pilar fundamental para garantir um desenvolvimento saudável aos indivíduos afetados. O diagnóstico é realizado por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), popularmente conhecido como "teste do pezinho", oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. O exame, que identifica níveis elevados de fenilalanina no sangue de recém-nascidos, é idealmente coletado entre o terceiro e o quinto dia de vida, após 48 horas de ingestão de proteínas, para assegurar a precisão dos resultados e evitar falsos-negativos. É crucial que o tratamento seja iniciado já no primeiro mês de vida, pois, embora os bebês não apresentem sintomas ao nascer, sinais de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor podem se manifestar a partir dos seis meses na ausência de intervenção.

Manejo Contínuo e Restrições Dietéticas Rigorosas

O tratamento da fenilcetonúria exige um controle rigoroso e contínuo dos níveis séricos de fenilalanina por toda a vida. Isso implica uma dieta extremamente restritiva, onde alimentos ricos em proteínas são proibidos ou severamente limitados. Pacientes e suas famílias devem estar vigilantes, verificando sempre os rótulos de alimentos industrializados e medicamentos quanto à presença de fenilalanina ou aspartame, um adoçante que a contém e que deve ser evitado. A chegada do Sephience complementa essa abordagem dietética, oferecendo uma nova ferramenta que pode facilitar a gestão da doença e, potencialmente, mitigar parte das severas restrições alimentares, contribuindo para uma melhor adesão e, consequentemente, para uma maior qualidade de vida.

A aprovação do Sephience pela Anvisa marca, portanto, um passo significativo na busca por tratamentos mais eficazes e menos limitantes para a fenilcetonúria no Brasil. Ao adicionar uma nova opção terapêutica, o medicamento reforça o compromisso com a saúde e o bem-estar dos pacientes, prometendo um futuro com mais esperança e autonomia para aqueles que enfrentam os desafios diários impostos por essa condição genética.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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