Acordo Mercosul-União Europeia: Vigência Provisória Programada para Maio Impulsiona Maior Zona de Livre Comércio

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O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou recentemente a expectativa de que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entre em vigor provisoriamente já no mês de maio. A declaração, feita na capital paulista, ressalta a iminência da concretização de um dos pactos comerciais mais ambiciosos do cenário global, que promete remodelar as relações econômicas entre os dois blocos.

Avanços no Processo de Aprovação e Cronograma Brasileiro

A progressão do acordo no Brasil tem sido célere. Após ser aprovado pela Câmara dos Deputados, o texto seguiu para o Senado Federal, onde a expectativa do governo é de que a votação ocorra nas próximas duas semanas. Uma vez obtida a aprovação senatorial, o passo seguinte será a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin detalhou o plano de que, com a resolução em março, haverá um período de aproximadamente 60 dias para a vigência do acordo, projetando a entrada em vigor até o fim de maio. Esta timeline demonstra a urgência e o otimismo do governo brasileiro para a efetivação do tratado.

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Movimentações no Mercosul e a Estratégia da União Europeia

Paralelamente aos avanços no Brasil, outros membros do Mercosul também têm ratificado o acordo, como o Paraguai, a Argentina e o Uruguai, solidificando o apoio regional ao pacto. Do lado europeu, a Comissão Europeia tomou uma decisão estratégica ao anunciar a aplicação provisória do acordo de livre comércio. Esta medida visa garantir que o bloco obtenha a vantagem de ser pioneiro nos benefícios comerciais, antecipando-se a possíveis delongas.

Tradicionalmente, a União Europeia aguarda a aprovação de seus acordos por todos os governos membros e pelo Parlamento Europeu. No entanto, a recente contestação do acordo no tribunal superior do bloco, liderada por deputados franceses, poderia atrasar a implementação total em até dois anos. A aplicação provisória contorna essa questão, permitindo que a UE e o Mercosul comecem a reduzir tarifas e aplicar outros aspectos comerciais do acordo, mesmo enquanto a aprovação formal pela assembleia europeia ainda é aguardada.

Regulamentação das Salvaguardas: Proteção e Equilíbrio Comercial

Um ponto crucial para a implementação do acordo é a regulamentação das salvaguardas, mecanismos essenciais que permitem suspender a redução de tarifas em caso de um surto de importações. Alckmin informou que uma proposta para regulamentar essas salvaguardas foi encaminhada à Casa Civil e, posteriormente, passará pelos Ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes da sanção presidencial. A expectativa é que essa regulamentação ocorra nos próximos dias, idealmente antes mesmo da votação do acordo no Senado.

A lógica por trás desses mecanismos é assegurar que a abertura de mercados resulte em ganhos para a sociedade, com acesso a produtos de melhor qualidade e menor preço, sem comprometer a produção interna em cenários de importações excessivas. Essa proteção se aplica reciprocamente, beneficiando tanto os países do Mercosul quanto os da União Europeia.

Detalhes e Impacto Econômico da Maior Zona de Livre Comércio

O acordo estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de habitantes, com implicações significativas para as economias envolvidas. Em termos de tarifas, o Mercosul se compromete a zerar impostos sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Por outro lado, a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul em um prazo de até 12 anos, abrindo vastas oportunidades para exportadores sul-americanos.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo tem o potencial de incrementar as exportações brasileiras em aproximadamente US$ 7 bilhões. Além do aumento do volume, o pacto deverá promover uma maior diversificação das vendas internacionais do Brasil, beneficiando diretamente a indústria nacional com novos mercados e cadeias de valor.

Conclusão: Um Novo Capítulo para o Comércio Global

A iminente entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia marca um momento decisivo para o comércio global, prometendo uma era de maior integração econômica e oportunidades mútuas. A combinação de aprovações domésticas, estratégias de aplicação provisória e a rápida regulamentação de salvaguardas reflete o compromisso de ambos os blocos em pavimentar o caminho para uma parceria comercial robusta e equilibrada. Com a expectativa de vigência em maio, os olhos do mundo se voltam para esta que será a maior zona de livre comércio do planeta, pronta para redefinir fluxos comerciais e impulsionar o desenvolvimento em ambos os lados do Atlântico.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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