Polícia Intensifica Busca por Provas Digitais em Casos de Estupro Coletivo e Reitera Alerta sobre Consentimento

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro avança nas investigações para obter novas provas contra os indivíduos denunciados em múltiplos casos de estupro, envolvendo tanto estudantes do Colégio Federal Pedro II quanto uma jovem de 17 anos em Copacabana. O foco principal da estratégia policial agora se volta para a análise de dados digitais, buscando quebrar o sigilo telefônico e acessar informações de celulares e computadores dos réus, especialmente de um adolescente apontado como figura central nos ataques.

A Complexa Rede de Investigações e o Papel do Principal Acusado

As investigações se desdobram em duas frentes distintas, mas interligadas pela dinâmica dos crimes e pela suposta participação dos mesmos indivíduos. Em um dos casos, referente ao estupro coletivo ocorrido em Copacabana em janeiro, cinco rapazes foram indiciados, mas o adolescente que a polícia considera o mentor permanece em liberdade, respondendo ao crime sem internação, apesar do pedido da Polícia Civil. Paralelamente, a Polícia Civil também não descarta solicitar a quebra de sigilo telefônico dos outros quatro réus já envolvidos nesta ocorrência de Copacabana, evidenciando a busca por um panorama completo das interações.

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O delegado Ângelo Lages, responsável pelos inquéritos, ressalta que o adolescente é visto como a mente por trás da organização dos ataques, utilizando-se da confiança das vítimas, muitas vezes estabelecida por relacionamentos anteriores. Ele destaca que a apreensão de equipamentos eletrônicos do jovem, um pedido de busca e apreensão que não foi acolhido pela Justiça, é considerada crucial para elucidar as denúncias, revelando detalhes de sua participação e de outros envolvidos tanto no crime de Copacabana quanto em uma nova denúncia de estupro registrada contra ele recentemente.

Provas Digitais: Chave para Desvendar o Modus Operandi

A necessidade de acessar o conteúdo de celulares e computadores é um pilar da estratégia policial. Segundo o delegado, a quebra do sigilo telemático pode desvendar a coordenação e o planejamento prévio dos crimes, além de confirmar a existência de filmagens e registros que foram, em alguns casos, utilizados para chantagear as vítimas. No dia da tentativa de prisão dos indiciados, a polícia não possuía autorização judicial para a apreensão desses dispositivos, um fator que dificultou a coleta inicial de evidências digitais essenciais para compreender a dinâmica dos fatos.

Múltiplas Vítimas e o Padrão Repetitivo da Violência

A publicização do caso de Copacabana, especialmente após a circulação de imagens dos indiciados, encorajou outras duas vítimas do Colégio Pedro II a procurarem a polícia. Ambas relataram ter sido estupradas com a participação de membros do mesmo grupo. Uma das denúncias descreve um estupro em 2023, envolvendo o adolescente e mais dois homens, onde o ato foi gravado e as imagens usadas para chantagem. A segunda vítima também relatou que a ação foi filmada, e o modus operandi, com o adolescente atraindo a vítima para uma emboscada onde outros agressores esperavam, é similar ao do caso de Copacabana, evidenciando um padrão perturbador de atuação do grupo.

Reações Institucionais e a Urgência do Debate sobre Consentimento

Diante da gravidade dos fatos, o grêmio estudantil do Colégio Pedro II se manifestou publicamente, exigindo a expulsão dos alunos envolvidos, incluindo o adolescente e Vitor Hugo Simonin. A nota do grêmio alertou que “não é de hoje que tais alunos – e assim como outros – têm algum tipo de envolvimento em casos de assédio e abuso, incluindo vazamento de vídeos expositivos de uma aluna do campus”, sugerindo um histórico de condutas inadequadas. A Polícia Civil pretende acionar a instituição para averiguar possíveis denúncias e investigações internas preexistentes.

Em paralelo, a defesa de Vitor Simonin tem negado o estupro coletivo, com seu advogado sugerindo consentimento, apesar da constatação de lesões graves na vítima por exames legistas. Em contrapartida, o delegado Ângelo Lages reforçou um alerta crucial à sociedade: “Os meninos, principalmente, precisam saber que não é não. A partir do momento que não houver mais consentimento, há um crime”, enfatizou. Ele lembrou que a pena para esses crimes, especialmente se a vítima for adolescente, pode atingir até 20 anos de prisão, sublinhando a seriedade e as consequências legais desses atos.

As investigações prosseguem, buscando justiça para as vítimas e sublinhando a importância da vigilância e do debate sobre consentimento. Para denúncias de violência doméstica ou sexual, a Polícia Civil recomenda procurar uma delegacia ou discar o número 180.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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