IGP-M Desacelera para 0,52% em Março sob Pressão do Petróleo e Agropecuária, Acumulando Deflação em 12 Meses

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O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como a "inflação do aluguel", registrou uma alta de <b>0,52%</b> em março, marcando uma desaceleração em relação ao patamar de 0,73% observado em fevereiro. Apesar da moderação no ritmo mensal, o indicador sentiu forte influência dos preços de produtos agropecuários e derivados de petróleo, apontando para novas pressões na economia. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), revelam um cenário complexo, com o índice acumulando uma deflação de <b>1,83%</b> nos últimos 12 meses.

IGP-M: Detalhes da Variação Mensal e Acumulada

A variação de 0,52% em março de 2024 representa uma atenuação na velocidade de crescimento dos preços em comparação com o mês anterior. Essa desaceleração sucede o 0,73% registrado em fevereiro, indicando uma moderação no índice que, contudo, permanece em terreno positivo. Analisando o panorama de médio prazo, o IGP-M acumula uma deflação de 1,83% nos 12 meses encerrados em março, o que significa um recuo médio nos preços durante esse período. Historicamente, o índice tem mostrado uma flutuação considerável, com resultados positivos e negativos alternados, como o -0,34% observado em março do ano anterior.

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Os Motores da Inflação: Atacado e Cenário Global

A composição do IGP-M é fortemente influenciada por seus componentes, sendo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) o de maior peso, responsável por 60% do resultado final. Em março, o IPA registrou uma alta de 0,61%, refletindo dinâmicas de preços tanto no setor agropecuário quanto no impacto de fatores externos relacionados ao petróleo.

Impacto do Setor Agropecuário

Dentro do IPA, o setor agropecuário destacou-se como um dos principais vetores de alta. Produtos essenciais como bovinos, ovos, leite, feijão e milho registraram aumentos expressivos. Os ovos, por exemplo, viram seus preços subir 16,95% em março, somando-se a um aumento anterior de 14,16% em fevereiro. O feijão, por sua vez, teve um encarecimento de 20,91% no mês, após uma alta de 13,77% no período precedente, conforme explicou o economista Matheus Dias do Ibre, que sublinha a contribuição significativa desses itens para a pressão inflacionária ao produtor.

Pressão dos Derivados de Petróleo e Geopolítica

O cenário externo também exerceu forte influência no IGP-M, notadamente através dos preços dos derivados de petróleo. O agravamento da situação geopolítica no Oriente Médio, marcado por conflitos que afetam regiões produtoras e rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz – por onde transita um quinto da produção mundial –, tem gerado distorções na cadeia de suprimentos e contribuído para a escalada dos preços globais do óleo. No mercado doméstico, o subgrupo de produtos derivados de petróleo reverteu a tendência de deflação vista em fevereiro (-4,63%), registrando uma alta de 1,16% em março. Apesar dessa recente valorização, o patamar acumulado em 12 meses para esse subgrupo ainda é de deflação acentuada, em -14,13%.

Inflação no Consumo e na Construção

Além do Índice de Preços ao Produtor Amplo, o IGP-M é composto por outros dois indicadores que capturam a dinâmica de preços em diferentes esferas da economia brasileira.

Índice de Preços ao Consumidor (IPC)

Com peso de 30% no cálculo do IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou um aumento de 0,30% em março. Na cesta de consumo das famílias, o item que mais contribuiu para essa pressão de custos foi a gasolina, que registrou uma expansão de 1,12% no mês, impactando diretamente o poder de compra dos consumidores.

Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)

O terceiro componente que integra o IGP-M é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Este indicador, que reflete as variações de preços no setor da construção civil, registrou uma elevação de 0,36% em março, complementando o panorama inflacionário do mês e mostrando a pressão de custos no segmento.

«Inflação do Aluguel»: Entenda o Impacto Real

O IGP-M ganhou o apelido de "inflação do aluguel" devido à sua frequente utilização como base para o reajuste anual de contratos imobiliários. Sua aplicação se estende também à atualização de diversas tarifas públicas e serviços essenciais. No entanto, é crucial compreender que, apesar do acumulado negativo do IGP-M nos últimos 12 meses, não há garantia automática de redução nos valores dos aluguéis. Muitos contratos incluem cláusulas que estipulam o "reajuste conforme variação positiva do IGP-M", o que, na prática, significa que o valor só é modificado para cima em caso de índice positivo, protegendo o locador em cenários de deflação do indexador e limitando o benefício para o locatário.

A Fundação Getulio Vargas realiza a coleta de preços que compõem o IGP-M em importantes capitais brasileiras, incluindo Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, para oferecer uma visão abrangente da variação de preços no país. O período de levantamento para o índice de março compreendeu os dias 21 de fevereiro a 20 de março, fornecendo uma fotografia detalhada das tendências inflacionárias.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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