Marinhas do Brasil e da França Fortalecem Laços em Exercício Conjunto na Costa do Rio

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A costa do Rio de Janeiro foi palco de um significativo exercício militar combinado, reunindo cerca de 1,7 mil militares da Marinha do Brasil, da Marinha Nacional da França e da 9ª Brigada do Exército Francês. A ação, que culminou nos dias 27 e 28 de maio na Ilha da Marambaia, na Costa Verde fluminense, integra a Operação Jeanne d'Arc e visa aprimorar a interoperabilidade e a capacidade de resposta conjunta entre as forças navais de ambos os países.

Cooperação Estratégica no Atlântico Sul

A presença francesa neste adestramento reflete um interesse estratégico na região, com destaque para a proximidade com a Guiana Francesa, e reforça a posição do Brasil como um ator naval proeminente no Atlântico Sul. Este engajamento bilateral é fundamental para a troca de conhecimentos e para o fortalecimento da segurança marítima, alinhando as capacidades militares para enfrentar desafios futuros. A Operação Jeanne d'Arc, que se estende por cinco meses com passagem por diversos países, sublinha a relevância desta colaboração internacional.

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Dinâmica dos Exercícios Anfíbios Combinados

As atividades no Rio de Janeiro foram meticulosamente planejadas. Inicialmente, as tropas e equipamentos foram deslocados do porto do Rio de Janeiro até Itacuruçá, em Mangaratiba, a bordo do porta-helicópteros francês Dixmude. O primeiro dia foi dedicado aos preparativos para o complexo adestramento anfíbio, que ocorreu no dia seguinte na Ilha da Marambaia. O ponto central desses exercícios foi a simulação da transição do ambiente marítimo para o terrestre, envolvendo treinamentos de tiro prático, progressão por um campo minado simulado e técnicas de primeiros socorros. Submarinos e veículos anfíbios, aéreos e terrestres também foram empregados para garantir a simulação de um cenário de alta complexidade.

Intercâmbio de Conhecimentos e Boas Práticas

O comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira, Luiz Felipe de Almeida Rodrigues, enfatizou o valor inestimável do exercício como uma oportunidade para o intercâmbio de boas práticas, técnicas, táticas e procedimentos entre as marinhas. Ele destacou o benefício mútuo, exemplificando com o uso do carro lagarta anfíbio brasileiro, uma capacidade blindada única que o lado francês não possui, em contrapartida ao acesso brasileiro aos modernos meios de desembarque e veículos blindados franceses. Segundo o comandante, a missão conjunta permite às forças brasileiras antecipar e assimilar conhecimentos estratégicos, especialmente no que tange à operação com navios anfíbios, como o Dixmude, agregando um valioso <i>know-how</i> para futuras operações.

O Poder Multifuncional do Porta-Helicópteros Dixmude

Peça central da operação, o navio francês Dixmude é uma embarcação impressionante com quase 200 metros de comprimento e mais de 9 mil metros quadrados distribuídos em 12 andares. Sua capacidade logística é vasta, podendo transportar até 650 soldados, 16 helicópteros, 110 veículos blindados e 13 tanques. Além de sua função militar, o Dixmude dispõe de uma infraestrutura completa, incluindo hospital, capela, restaurante, academia e estruturas hoteleiras, o que o qualifica para diversas missões humanitárias e de apoio.

O comandante do grupo francês, Jocelyn Delrieu, ressaltou a versatilidade do Dixmude, descrevendo-o como um navio de assalto anfíbio capaz de projetar forças do mar para a terra tanto por meio de seus veículos anfíbios quanto por helicóptero. Delrieu também enfatizou a capacidade do navio como hospital flutuante, com recursos dedicados às Forças Armadas. Ele destacou que a missão Jeanne d'Arc é um reflexo da longa história da Marinha francesa, que por quatro séculos tem atuado em todos os oceanos para proteger interesses e colaborar com parceiros e aliados, exemplificando a continuidade desse legado global.

Conclusão

A Operação Jeanne d'Arc na costa do Rio de Janeiro representa um marco na cooperação militar entre o Brasil e a França, consolidando o compromisso com a segurança e a estabilidade regional. O adestramento conjunto não apenas aprimorou as capacidades operacionais das marinhas, mas também promoveu um enriquecedor intercâmbio de experiências e tecnologias, preparando as forças para um cenário global cada vez mais complexo. Esta parceria estratégica reitera a importância da diplomacia naval e da colaboração internacional para a manutenção da paz e para o desenvolvimento de defesas robustas no Atlântico Sul e além.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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