Brasil Contra o Crime Organizado: Governo Ataca Prisões como ‘Escritórios do Crime’

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O governo federal, por meio do recém-lançado programa Brasil Contra o Crime Organizado, delineou uma estratégia ambiciosa para desmantelar a atuação de facções criminosas em todo o território nacional. Em pronunciamento público, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, enfatizou que um dos pilares centrais dessa iniciativa é a erradicação da prática de presídios servirem como centros de comando e recrutamento para o crime organizado, visando transformar as unidades prisionais em ambientes verdadeiramente seguros e controlados.

Eixos Estratégicos para a Segurança Nacional

O programa Brasil Contra o Crime Organizado, divulgado nesta terça-feira e detalhado pelo ministro Lima em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, estrutura-se em quatro frentes de atuação coordenadas. Além do foco primordial no fortalecimento da segurança do sistema prisional, a estratégia abrange a asfixia financeira das organizações criminosas, um elemento crucial para desarticular sua base de poder. Complementam essa abordagem a qualificação das investigações de homicídios, visando aprimorar a capacidade de resposta e punição, e o combate rigoroso ao tráfico ilícito de armas, munições, acessórios e explosivos, essenciais para a atuação desses grupos.

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Reestruturação Prisional: Um Salto para a Segurança Máxima

Um dos investimentos mais significativos do programa será direcionado à transformação de 138 estabelecimentos prisionais em todo o país. O objetivo é elevá-los ao padrão de segurança máxima, similar ao das cinco unidades federais já existentes. Embora este grupo represente aproximadamente 10% do total de prisões brasileiras, sua escolha é estratégica: essas unidades concentram cerca de 19% da população carcerária e, notavelmente, mais de 80% das lideranças de organizações criminosas, que são as responsáveis por articular ações ilícitas e coordenar ordens de dentro das cadeias. Essa concentração permite um impacto desproporcional na capacidade operacional das facções.

Tecnologia e Capacitação para o Novo Padrão

Para alcançar esse patamar de segurança, os presídios contemplados receberão aportes em recursos humanos e materiais. Entre os equipamentos essenciais que serão fornecidos estão kits de varredura, detectores de metal e, crucialmente, bloqueadores de celulares, ferramentas indispensáveis para interromper a comunicação externa do crime organizado a partir do ambiente carcerário. A modernização visa criar uma barreira tecnológica robusta contra a articulação criminosa, reforçando o controle e a vigilância ostensiva e preventiva nos estabelecimentos.

Mecanismos de Financiamento e Colaboração Federativa

O programa Brasil Contra o Crime Organizado conta com um aporte total de investimentos que somam cerca de R$ 1,06 bilhão em recursos diretos, distribuídos entre os quatro eixos estruturantes. Desse montante, aproximadamente R$ 330,6 milhões são especificamente alocados para custear as ações de ampliação do controle e vigilância carcerária. O ministro Lima salientou que este primeiro modelo de financiamento visa desburocratizar o acesso aos recursos e equipamentos, dispensando a necessidade de adesão formal por parte dos estados para receber kits e demais aparatos de segurança.

Adicionalmente, uma linha de crédito substancial de R$ 10 bilhões será disponibilizada, operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esses recursos provêm do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis), criado em 2024 com o propósito de financiar investimentos em infraestrutura social, incluindo a melhoria da segurança pública. Para acessar esta linha de crédito, estados e municípios deverão submeter projetos que se alinhem aos parâmetros do programa, podendo custear a aquisição de uma vasta gama de itens, desde viaturas e motocicletas operacionais até drones, sistemas de radiocomunicação, videomonitoramento, câmeras corporais, scanners, bloqueadores de sinal e equipamentos para perícia e informática. O Fiis também poderá apoiar reformas em estabelecimentos penais e outras soluções tecnológicas, além de expandir o escopo para iniciativas não diretamente ligadas aos quatro eixos iniciais, como o aprimoramento do combate ao feminicídio.

Engajamento Estadual e Visão Política

O ministro Wellington Lima expressou confiança na adesão dos governos estaduais, independentemente de filiações político-partidárias ou do período pré-eleitoral. Ele reiterou que o programa foi amplamente discutido com representantes das secretarias de Administração Penitenciária, Justiça e Segurança Pública de todos os estados, bem como com membros do Poder Judiciário e do Ministério Público. Para Lima, nenhum governador, em sã consciência, abriria mão dos benefícios de uma ação federal que tem o potencial de reduzir drasticamente os índices de criminalidade, impactando positivamente a segurança pública em prol da coletividade.

O programa Brasil Contra o Crime Organizado representa um esforço concentrado do governo federal para reformular a segurança pública e o sistema prisional. Com investimentos diretos e uma linha de crédito robusta, a iniciativa busca, de forma desburocratizada e abrangente, fortalecer a capacidade do Estado de enfrentar as facções criminosas, garantindo prisões mais seguras e uma sociedade mais protegida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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