Bloco do Amor: Uma Década de Carnaval Inclusivo e Transformador em Brasília

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Ao longo de 11 anos, o Bloco do Amor solidificou sua presença no carnaval de Brasília como um símbolo de resistência, diversidade e afeto coletivo. Consolidando-se como um espaço onde a aceitação das diferenças não é apenas celebrada, mas vista como um ato revolucionário, o bloco tem atraído multidões. No último sábado de carnaval, a área externa da Biblioteca e do Museu Nacional foi novamente palco para a celebração de um público que, em anos anteriores, chegou a somar quase 70 mil pessoas, segundo os organizadores, reafirmando o compromisso do evento com uma folia livre de preconceitos.

A Gênese de um Movimento Colorido

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu com a missão de injetar manifestos político-poéticos de respeito e diversidade no coração de Brasília. Com muita cor e glitter, a iniciativa transformou o centro da capital em um epicentro de celebração emblemática e afetuosa. A coordenadora geral do bloco, Letícia Helena, produtora cultural, cantora e figurinista, formada em Artes Cênicas pela UnB, explica que a criação do Bloco do Amor surgiu da urgência de debater o amor na cidade, buscando mais representatividade nos espaços urbanos. Suas primeiras edições, que começaram como um trabalho voluntário na Via S2 do Plano Piloto, um local historicamente associado a profissionais do sexo, precisaram migrar para a área externa do Museu Nacional devido ao crescimento exponencial de público, simbolizando a expansão de sua mensagem.

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Folia Como Ato de Existência e Resistência

Adotando um lema impactante, a filosofia do Bloco do Amor propõe o 'Sonhar como Ato de Existência', enxergando a alegria e a capacidade de sonhar como ferramentas poderosas de resistência e transformação social. Essa perspectiva ressoa profundamente com seu público extremamente plural, especialmente a comunidade LGBTQIAPN+, que encontra no bloco um território seguro e respeitoso para a folia. A diversidade é também um pilar da experiência musical oferecida, com Letícia Helena destacando a variedade de ritmos que impulsionam os foliões, abrangendo desde o axé retrô e o eletrônico até a música pop, MPB e o forró. Esta edição do bloco se integrou à Plataforma Monumental, uma estrutura projetada para acolher múltiplos eventos ao longo de quatro dias de celebração.

Um Carnaval de Zero Violência e Plena Aceitação

A trajetória de 11 anos do Bloco do Amor é marcada por um trabalho contínuo de comunicação e conscientização, visando promover a aceitação e o bom convívio. Letícia Helena celebra os progressos alcançados, com uma melhora significativa nas estatísticas de segurança. A edição de 2024, por exemplo, registrou um feito notável: zero casos de violência e assédio contra mulheres, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública. Esse resultado é fruto de um meticuloso trabalho de preparação da equipe de produção, que inclui protocolos específicos para lidar com diversas situações, garantindo um ambiente verdadeiramente seguro e livre de preconceitos para todos os participantes.

A percepção de segurança e pertencimento é ecoada pelos foliões. Fernando Franq, 34, e Ana Flávia Garcia, 53, descrevem o Bloco do Amor como o 'bloco dos corações do casal', um ambiente de muita arte, artistas e, crucialmente, um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos. Ana Flávia reforça que, além de sua riqueza musical, o bloco é um espaço onde todos são aceitos, onde a 'nudez pode e deve ser respeitada, livre de assédios e preconceitos'. Jovens como Clarisse Pontes, de 22 anos, que desfrutava seu primeiro carnaval em Brasília, encontram no Bloco do Amor a oportunidade de buscar amor e curtição em um ambiente tranquilo e respeitoso.

Legado e Futuro de um Bloco Essencial

O Bloco do Amor transcende a mera celebração carnavalesca; ele é um farol de progresso social e um catalisador para a cultura do respeito em Brasília. Sua evolução, desde um trabalho voluntário em uma via marginalizada até um dos maiores e mais emblemáticos eventos do carnaval da capital, demonstra o poder transformador da folia quando aliada a princípios de inclusão e direitos humanos. Ao continuar a fomentar um espaço onde a diversidade é a norma e o afeto coletivo a força motriz, o Bloco do Amor reafirma a essência revolucionária do carnaval, pavimentando o caminho para uma sociedade mais justa e acolhedora.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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