Brasil Lança Protocolo Nacional para Fortalecer a Proteção de Jornalistas e Comunicadores

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Em um passo significativo para a defesa da liberdade de imprensa e o combate à impunidade, o governo federal instituiu, no Dia do Jornalista, o Protocolo Nacional de Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais. A iniciativa, desenvolvida no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, visa estabelecer um padrão unificado de investigação para crimes relacionados à atividade jornalística, operado pelo Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Este novo instrumento reflete o compromisso do Estado em garantir um ambiente seguro para o exercício da profissão, fundamental para a democracia.

Um Marco para a Proteção da Imprensa Nacional

A criação do protocolo é resultado de um esforço conjunto, assinado por representantes dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Direitos Humanos e da Cidadania, além da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Essa colaboração interministerial sublinha a abrangência e a importância da medida. O Observatório, que foi o colegiado responsável pela elaboração do documento, teve sua proposta levada ao Ministro da Justiça pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em 2023, logo após os atos de 8 de dezembro, que expuseram a vulnerabilidade e a intimidação sofrida pelos profissionais da imprensa.

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Diretrizes para uma Atuação Estadual Qualificada

O Protocolo Nacional inova ao exigir que a resposta estatal vá além da mera constatação do fato criminoso, contemplando o contexto, a motivação da agressão e a intrínseca relação do crime com o exercício profissional da comunicação. Para tanto, estabelece diretrizes claras para a atuação dos órgãos de segurança pública, fundamentadas em quatro eixos prioritários. Estes incluem a proteção imediata da vítima e de seus familiares; a qualificação da investigação para erradicar a impunidade; a produção e preservação rigorosa das provas; e a escuta qualificada das vítimas, assegurando tratamento humanizado, prevenindo a revitimização e respeitando o sigilo da fonte.

A secretária Nacional de Justiça (Senajus/MJSP) e representante do Observatório, Maria Rosa Guimarães Loula, ressaltou que o protocolo dedica atenção especial a situações críticas como o desaparecimento de profissionais de imprensa. Adicionalmente, o documento reconhece e busca mitigar contextos agravados por vulnerabilidades sociais, como as relacionadas a gênero, raça, orientação sexual ou condição socioeconômica, reforçando uma abordagem que reconhece a pluralidade dos desafios enfrentados pelos comunicadores. Em suas palavras, o protocolo busca proteger aqueles que, com coragem, escolhem levar a verdade e a informação ao público, ecoando a importância da profissão na sociedade.

Combate à Violência e Fortalecimento da Democracia

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que o protocolo alinha-se a padrões internacionais de proteção à liberdade de imprensa, visando aprimorar a capacidade de resposta do Estado. O foco está em proteger as vítimas, elevar a qualidade das investigações, combater a impunidade e, consequentemente, fortalecer a liberdade de expressão e o direito à informação. Ele enfatizou a necessidade de uma resposta estatal qualificada, que compreenda o contexto jornalístico, preserve provas, garanta ambientes seguros para depoimentos, previna a revitimização e assegure a celeridade dos processos, sempre protegendo o sigilo da fonte.

A Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Janine Mello, reforçou que a proteção dos direitos humanos é indissociável de respostas institucionais robustas, que englobem prevenção, investigação e responsabilização. Ela sublinhou que este protocolo é pioneiro no Brasil para investigação de crimes contra jornalistas, contribuindo decisivamente para qualificar a atuação das forças de segurança, conferir consistência às apurações e solidificar a proteção de jornalistas, comunicadores e, por extensão, defensores de direitos humanos e ambientalistas. A ministra salientou que a iniciativa amplia o alcance das ações estatais, garantindo suporte a quem atua em territórios muitas vezes conflagrados, dando visibilidade a violações e fortalecendo a democracia e a justiça no país.

A necessidade de tal medida é corroborada pelo cenário alarmante revelado por relatórios como o da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), que aponta centenas de agressões, intimidações e censura contra profissionais da imprensa. Este contexto de vulnerabilidade acentua a urgência e a relevância de um protocolo que ofereça ferramentas eficazes para a proteção e o amparo jurídico a esses trabalhadores essenciais.

A implementação deste protocolo representa um compromisso concreto do Estado brasileiro com a salvaguarda da imprensa e, por extensão, com a saúde democrática da nação. Ao padronizar e qualificar as investigações de crimes contra jornalistas e comunicadores, o governo busca não apenas coibir a violência, mas também assegurar que a informação flua livremente, fortalecendo a sociedade civil e o direito fundamental à verdade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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