Dia Internacional da Mulher: Milhares Marcam Presença em São Paulo para Combater a Violência e Demandar Novos Direitos Trabalhistas

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Apesar da forte chuva que atingiu a capital paulista na tarde deste domingo (8), milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista para um ato contundente em celebração e reivindicação pelo Dia Internacional da Mulher. A manifestação, que ecoou simultaneamente em diversas cidades brasileiras, transformou a principal avenida de São Paulo em um palco de demandas urgentes, centradas no combate à violência de gênero e na busca por melhores condições de trabalho, como o fim da escala 6×1.

O Grito Contra a Violência de Gênero e o Feminicídio

Com faixas e cânticos como “Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, as manifestantes saíram em caminhada da Avenida Paulista em direção à Praça Roosevelt. O ímpeto das mulheres era claro: exigir o fim efetivo da violência contra a mulher em todas as suas formas, especialmente o feminicídio. Alice Ferreira, coordenadora do Levante Mulheres Vivas, enfatizou que não bastam apenas pactos ou notas de apoio; são necessários orçamento público e medidas concretas nas esferas Executiva, Judiciária e Legislativa, que, segundo ela, ainda não demonstraram avanços significativos.

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A gravidade do problema foi visualizada através de intervenções artísticas impactantes. Na Avenida Paulista, sapatos femininos foram dispostos, simbolizando as vítimas de feminicídio no país, um lembrete sombrio do aumento recorde de 96,4% de mortes de mulheres no estado de São Paulo no período mais recente de registro, totalizando 270 vítimas e marcando a maior cifra desde 2018. Outra instalação, posicionada em frente ao Fórum Pedro Lessa, utilizou bonecas para chamar a atenção para crianças que sofrem com a misoginia, fazendo alusão a casos controversos, como a absolvição de um homem acusado de estupro de uma menor em Minas Gerais.

O movimento também defendeu a aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para tipificar a misoginia, definida como conduta de ódio contra as mulheres, como crime. Alice Ferreira destacou a importância dessa medida, especialmente em um cenário onde discursos feministas são suprimidos pelas big techs, enquanto movimentos misóginos, como a “red pill”, são impulsionados na internet, tornando a criminalização um passo fundamental para reverter essa lógica.

A Demanda por Direitos Trabalhistas: Fim da Escala 6×1

Além da pauta contra a violência, as mulheres levantaram a bandeira pelo fim da escala de trabalho 6×1, que se tornou um símbolo da dupla jornada feminina. Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, explicou que essa reivindicação é crucial, pois muitas mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado familiar e pela renda da casa. Para elas, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada representam não apenas um período de descanso e autocuidado, mas também uma oportunidade para maior autonomia e decisão sobre sua própria vida e presença no mundo.

O protesto também se estendeu ao fim da violência política e à contenção do extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas, reforçando a interconexão entre as diversas formas de opressão enfrentadas pelas mulheres. A luta por direitos trabalhistas justos é, portanto, vista como um componente essencial da busca por uma vida plena e digna para todas.

Mobilização e a Persistência por Políticas Públicas

O ato, denominado “Em Defesa da Vida das Mulheres”, demonstrou a força da união de diversos movimentos sociais e sindicais. Entre os participantes estavam a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), evidenciando a amplitude do engajamento em torno das pautas.

Para as ativistas, o enfrentamento da violência e a garantia de direitos demandam uma pauta permanente de políticas públicas, que devem transcender os governos e garantir o combate contínuo às violências contra mulheres e meninas. A chuva intensa fez com que parte das manifestantes se abrigasse sob o vão livre do MASP, mas não diminuiu o ímpeto da mobilização, que ressaltou a urgência de respostas concretas e o compromisso inabalável com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Apesar dos desafios climáticos e da complexidade das demandas, o 8 de Março em São Paulo reafirmou a resiliência e a determinação das mulheres brasileiras em sua luta. O clamor por segurança, dignidade e autonomia ressoou forte na Avenida Paulista, marcando um dia de protesto e esperança por um futuro onde a vida das mulheres seja plenamente valorizada e respeitada em todas as esferas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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