Feminicídios Disparam 45% em São Paulo, Contracorrente à Queda Geral da Criminalidade
O estado de São Paulo apresenta um cenário ambíguo em seus mais recentes indicadores de segurança pública. Enquanto uma expressiva redução foi observada em diversas categorias criminais, o número de vítimas de feminicídio registrou um aumento alarmante em fevereiro, desafiando a tendência de queda geral. Essa dualidade ressalta a urgência e complexidade no combate à violência de gênero, mesmo diante de resultados positivos em outras frentes da segurança pública.
Aumento Preocupante nos Feminicídios
Em um desenvolvimento profundamente preocupante, o número de feminicídios em São Paulo escalou 45% em fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2025. Os dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam que o total de mulheres mortas em razão de sua condição de gênero saltou de 20 para 29. Essa tendência de crescimento se mantém no acumulado do primeiro bimestre, com 56 mulheres assassinadas em apenas dois meses, configurando um aumento de 33% em relação às 42 vítimas registradas no período homólogo do ano anterior. As estatísticas sublinham a persistência e a severidade da violência fatal contra a mulher no estado.

Panorama dos Crimes Sexuais
No que tange aos crimes sexuais, o cenário é misto. Os registros de estupro tiveram um leve acréscimo mensal, passando de 1.201 ocorrências em fevereiro de 2025 para 1.212 no mesmo mês de 2026, um aumento de 11 casos. Contudo, na análise acumulada do bimestre, houve uma redução geral: o total de registros diminuiu de 2.487 no ano passado para 2.397 em 2026, representando 90 casos a menos nesse período inicial do ano.
Redução Abrangente em Crimes Contra a Vida e o Patrimônio
Contrastando com o alarmante aumento dos feminicídios, a maioria dos outros indicadores criminais no estado de São Paulo demonstrou uma queda significativa, consolidando um panorama geral de retração da criminalidade.
Homicídios Dolosos e Latrocínios em Declínio
O número de homicídios dolosos apresentou uma queda considerável tanto em fevereiro quanto no acumulado do ano. Foram 179 casos notificados em fevereiro de 2026, o que representa uma diminuição de 11% em relação aos 201 registros do mesmo mês em 2025. Analisando o primeiro bimestre, foram registrados 369 boletins de ocorrência, uma redução de 11,3% se comparado aos 416 do ano anterior. Os latrocínios seguiram a mesma tendência de queda, passando de 10 casos em fevereiro de 2025 para apenas 5 em fevereiro de 2026. No acumulado bimestral, a diminuição foi ainda mais expressiva, com uma redução de 57%, de 28 para 12 ocorrências.
Roubos e Furtos Atingem Mínimos Históricos
Os crimes contra o patrimônio também exibiram uma significativa retração. Os roubos em geral, que englobam roubos diversos, de carga e a banco, caíram 18,4% entre fevereiro de 2025 e 2026, passando de 14.208 para 11.591 registros. No balanço bimestral, a queda foi de 21,4%, com o total passando de 30.180 para 23.719. A Secretaria da Segurança Pública destaca que este é o menor índice para roubos em geral desde o início da série histórica, em 2001. A mesma tendência de queda foi observada nos roubos de veículos, que tiveram 1.382 registros em fevereiro deste ano, contra 2.250 no mesmo mês de 2025, e uma queda no bimestre de 4.562 para 2.743. Os furtos em geral também caíram, de 44.982 em fevereiro de 2025 para 42.341 em fevereiro de 2026, e uma redução acumulada de 93.008 para 86.567 ocorrências.
Conclusão e Desafios Futuros
Apesar da bem-vinda redução generalizada nas taxas de criminalidade em São Paulo, particularmente em categorias como homicídios, latrocínios e diversas formas de roubos e furtos, o aumento drástico dos feminicídios emerge como uma preocupação grave e urgente. Essa realidade complexa exige estratégias diferenciadas e focalizadas: é fundamental celebrar os êxitos na contenção da criminalidade convencional, ao mesmo tempo em que se intensificam os esforços para combater a violência de gênero por meio de ações de prevenção, proteção às vítimas e rigorosa aplicação da lei. Os dados apresentados servem como um chamado crítico à ação para as autoridades, forças de segurança e a sociedade civil, visando erradicar as raízes do feminicídio e garantir a segurança e a dignidade de todas as mulheres no estado.