Greve de Fome em Caracas: Familiares e Presos Políticos Pressionam por Anistia e Libertação

0 3

Um protesto crescente por justiça e liberdade mobiliza Caracas, onde familiares de presos políticos venezuelanos iniciaram uma greve de fome, demandando a libertação dos detidos. O grupo de mulheres, que completa 96 horas em jejum nos arredores de uma unidade policial conhecida como Zona 7, na capital, reforça o clamor de presos políticos que, dentro da mesma delegacia, já superam 120 horas na mesma medida extrema de protesto.

O Sacrifício e a Resiliência das Famílias

Desde as 6h de sábado, um grupo de dez mulheres, com idades entre 23 e 46 anos, mantém a greve de fome em um acampamento improvisado com colchões. O local é marcado por um pequeno quadro que atualiza o tempo decorrido do protesto e uma faixa proeminente com a mensagem "Liberdade para todos", simbolizando a principal exigência. A situação de extrema vulnerabilidade se evidenciou quando uma das manifestantes desmaiou na segunda-feira, necessitando ser levada às pressas para um hospital de táxi devido à ausência de ambulâncias disponíveis, um detalhe relatado pelo ativista Diego Casanova, membro da ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos.

Banner Header PMM 2

A referida ONG tem monitorado a situação de perto, expressando sua preocupação nas redes sociais. Em uma publicação na rede X, o Comitê alertou sobre a "indiferença e a falta de respostas do Estado", que, segundo a organização, continuam a expor a vida e a integridade tanto das mulheres em greve quanto dos presos políticos, ao risco iminente.

A Greve de Fome no Interior da Prisão e Obstáculos Denunciados

Paralelamente ao protesto externo, os detidos na Zona 7 da Polícia Nacional Bolivariana iniciaram sua própria greve de fome na sexta-feira anterior, somando mais de 120 horas em protesto. A situação interna é igualmente crítica, com a ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos denunciando que, na segunda-feira, agentes policiais teriam impedido a entrada de soro destinado aos presos, sem oferecer qualquer justificativa para a restrição. Esse ato agrava ainda mais as condições dos detidos, que já se encontram em estado de saúde delicado devido ao jejum prolongado, intensificando o apelo por intervenção e cumprimento de direitos humanos.

Promessas Incumpridas e o Cenário Político da Anistia

O estopim para esta escalada de protestos foi o alegado descumprimento de uma promessa feita pelo presidente do parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez. Em 6 de fevereiro, Rodríguez teria assegurado a libertação de "todos" os presos políticos assim que uma lei de anistia fosse aprovada, um processo que ele estimava ser concluído "o mais tardar" até a sexta-feira subsequente. Contudo, a expectativa de uma ampla libertação não se concretizou, resultando na frustração e na intensificação das ações de protesto.

Apesar do impasse, houve algumas libertações. O próprio Jorge Rodríguez informou que 17 detidos foram soltos da Zona 7 no sábado. Este processo de libertação, ainda que limitado, e a discussão em torno de uma lei de anistia, ocorrem em um "novo momento político" que, conforme anunciado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, marca uma fase de reavaliação e possíveis mudanças no cenário político do país. A complexidade do contexto ressalta a urgência e a sensibilidade das negociações em torno do destino dos presos políticos na Venezuela.

O Impasse Continua e a Busca por Respostas

A greve de fome, tanto por parte das mulheres familiares quanto dos próprios presos políticos, sublinha a persistência de um impasse humanitário e político na Venezuela. A indiferença denunciada e a falta de respostas efetivas do Estado venezuelano mantêm acesa a chama do protesto, com as famílias e organizações de direitos humanos determinados a pressionar por uma solução que garanta a liberdade dos detidos. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos, enquanto a situação de vulnerabilidade dos grevistas exige uma resolução urgente e humanitária.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Comentários
Carregando...