Medo e Luta: Pedreiro de Juiz de Fora Cobra Moradia Digna e Prevenção Após Deslizamento Fatal
A construção de um lar, muitas vezes, é a concretização de um sonho e o resultado de uma vida de trabalho. Para Danilo Fartes, pedreiro de 40 anos, seu imóvel no Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, representa décadas de esforço, suor e dedicação familiar. Contudo, essa conquista agora está sob a sombra do pavor: um recente deslizamento de terra na vizinhança, que ceifou mais de 20 vidas e deixou dezenas de mortos em Minas Gerais, transformou o conforto em uma morada de incertezas. A tragédia não apenas abalou a estrutura física da comunidade, mas também expôs a fragilidade da vida em áreas vulneráveis, impulsionando Danilo a um apelo veemente por moradia digna e ações preventivas que poderiam ter evitado o desastre.
O Lar Construído com Suor Sob Ameaça Constante
Desde a adolescência, Danilo seguiu os preceitos paternos de poupar para edificar seu próprio refúgio. Cada canto da casa, onde reside com a esposa e o filho, reflete esse cuidado meticuloso, construído com recursos escassos e muita resiliência. No entanto, a proximidade com o epicentro do deslizamento do dia 23 de fevereiro alterou drasticamente a percepção de segurança de toda a família. A angústia é palpável: a esposa, irmãs e vizinhos de Danilo vivem em estado de alerta, temendo um novo desabamento que leve consigo anos de história e bens materiais. Para muitos na comunidade, essa não é apenas uma casa, mas o único patrimônio, fruto de uma vida inteira de sacrifícios, sem alternativas viáveis de realocação.

A Inércia das Ações Preventivas e a Crítica Direta
A tragédia que assolou o Jardim Burnier escancara uma falha sistêmica há muito tempo criticada por moradores como Danilo. O pedreiro denuncia a ausência de intervenções estruturais preventivas que poderiam ter mitigado os riscos. Ele observa que as raras obras de contenção realizadas na área surgem apenas como uma resposta pontual a incidentes já consumados, nunca como um planejamento abrangente de prevenção. Essa abordagem reativa, segundo ele, condena as comunidades a viverem sob constante ameaça, aguardando que o pior aconteça para que alguma medida seja tomada, perpetuando um ciclo de perdas e insegurança para milhares de famílias em regiões semelhantes.
Coragem e Dor no Resgate das Vítimas
Nos primeiros momentos após o deslizamento, antes mesmo da chegada das equipes oficiais, a bravura e o desespero da população se manifestaram. Danilo esteve na linha de frente, enfrentando os riscos de choques elétricos e novas enxurradas, para ajudar a remover os vizinhos soterrados. Com as próprias mãos e a força da comunidade, ele participou ativamente dos resgates, em uma corrida contra o tempo. Um dos momentos mais dolorosos foi a tentativa de salvar uma criança de apenas 3 anos: “Fiz massagem, joguei para dentro do carro e desci morro abaixo. Mas infelizmente não conseguimos ajudar. Ele não resistiu”, relata, carregando o peso da impotência diante da fatalidade.
A Força da Esperança em Meio à Reconstrução
Nascido e criado na comunidade, Danilo Fartes personifica a resiliência e a solidariedade que emergem em momentos de crise. Mesmo após a perda e o trauma, ele não se permitiu sucumbir ao desespero. Em vez disso, tem dedicado seus esforços à organização do trânsito local, à remoção de escombros e à distribuição de alimentos para os afetados. Seu trabalho se estende a um papel crucial de manter a esperança viva entre aqueles que sobreviveram, provando que, mesmo diante da adversidade, o espírito comunitário e a luta por um futuro mais seguro persistem. A sua voz, agora, é um clamor não apenas por sua casa, mas por um direito fundamental à moradia digna e segura para todos.