Desde o dia 8 de março, data que marca o Dia Internacional da Mulher, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) têm mobilizado uma série de ações em todo o Brasil. Lideradas por mulheres, estas manifestações visam intensificar a luta por uma reforma agrária popular e combater a crescente violência de gênero, com destaque para a ocupação de latifúndios em sete estados brasileiros: Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Piauí e Tocantins.
A Jornada Nacional de Lutas e a Identificação dos Latifúndios
As ocupações de terra fazem parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres do MST, um período de intensa mobilização que busca dar visibilidade às reivindicações do movimento. Ao todo, nove propriedades foram alvo das ações, todas identificadas como latifúndios improdutivos ou que apresentam um histórico de crimes graves. Entre as denúncias mais recorrentes associadas a essas terras estão a prática de trabalho escravo, a grilagem ilegal de terras e a devastação ambiental, evidenciando um padrão de exploração e irregularidade fundiária que o MST busca confrontar.

Enfrentando a Violência de Gênero e o Discurso Conservador
Além da pauta agrária, um dos pilares centrais da jornada é o enfrentamento à violência de gênero. Ayala Ferreira, da coordenação nacional do MST, ressalta a dualidade da luta: combater os crimes perpetrados pelo latifúndio e, simultaneamente, resistir à escalada de violência contra as mulheres. Segundo Ferreira, essa violência é frequentemente legitimada por um discurso conservador e pelo avanço de ideologias de extrema direita na sociedade, tornando a mobilização feminina uma resposta direta a essas tendências.
Diversidade de Ações e Abrangência Geográfica
As mobilizações da Jornada Nacional não se restringem apenas às ocupações de terra. Elas englobam uma ampla gama de estratégias de protesto, incluindo marchas, bloqueios de rodovias e atos públicos em diversas localidades. Essas ações se espalharam por 13 estados e 23 municípios, demonstrando a capilaridade e a força do movimento em diferentes regiões do país. Ayala Ferreira destaca que esses esforços incluem não apenas a tomada de terras e a obstrução de vias, mas também processos de diálogo e formação com companheiras de outros movimentos, tanto urbanos quanto rurais, fortalecendo a rede de resistência da classe trabalhadora feminina.
A atuação das mulheres do MST, portanto, transcende a reivindicação por terras, configurando-se como um grito potente contra injustiças sociais e de gênero. A jornada simboliza a capacidade de organização e resistência feminina, reafirmando o papel das trabalhadoras rurais na construção de um país mais equitativo e livre de violências.