Operação Conjunta Desarticula Esquema Bilionário de Lavagem de Dinheiro no Setor de Eletrônicos
Uma vasta operação conjunta, mobilizando a Polícia Civil de São Paulo, o Ministério Público Estadual (MPSP) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz-SP), culminou na desarticulação de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentou impressionantes R$ 1,1 bilhão. A ação mirou um grupo empresarial do mercado de distribuição de produtos eletrônicos, com atuação a partir da capital paulista e alcance em todo o território nacional.
A ofensiva policial, realizada em meados de outubro, envolveu o cumprimento simultâneo de 20 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão nos estados de São Paulo e Santa Catarina. Este esforço colaborativo expôs uma complexa teia de fraudes financeiras e fiscais, com ramificações que atingiam desde a ocultação de bens até o uso de laranjas com vínculos criminais.
A Engenharia Financeira Por Trás do Esquema

O núcleo da fraude residia em uma elaborada engenharia financeira, projetada para dissimular a origem e o destino dos recursos. As investigações revelaram que, enquanto as vendas de produtos eletrônicos eram realizadas através da plataforma principal do grupo, os pagamentos eram astuciosamente redirecionados para uma rede de empresas de fachada. Estas companhias, sem atividade econômica real, funcionavam meramente como contas de passagem, diluindo o rastro do dinheiro.
Paralelamente, a emissão das notas fiscais era atribuída a outras empresas distintas, completando o ciclo de confusão patrimonial. Essa estratégia permitiu a movimentação de pelo menos R$ 1,1 bilhão em um período de apenas sete meses, criando uma disparidade gritante entre o fluxo de caixa efetivo e o patrimônio auditável das empresas operacionais, conforme detalhado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).
Laranjas e a Blindagem Patrimonial Ilícita
Para conferir uma camada adicional de opacidade e proteção aos ativos ilícitos, o grupo criminoso empregava pessoas com histórico ligado a facções criminosas. Estes indivíduos eram cooptados para atuar como sócios de fachada e beneficiários de imóveis de alto valor, visando uma blindagem patrimonial que dificultaria a rastreabilidade e apreensão dos bens.
A operação comprovou que essa sistemática confusão patrimonial tinha o objetivo explícito de lesar não apenas o fisco, mas também credores e o próprio sistema judiciário. A inserção de elementos com antecedentes criminais no quadro societário e patrimonial demonstrava uma tentativa de intimidar e dificultar qualquer investigação sobre a real propriedade e origem dos recursos.
Mobilização Recorde e Resultados Imediatos
A força-tarefa responsável pela operação mobilizou cerca de 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Receita Estadual e dois promotores de Justiça, atuando em quatro endereços estratégicos ligados ao grupo empresarial. A cooperação entre as agências foi fundamental para mapear a complexidade do esquema e agir com precisão nos mandados expedidos.
Como resultado direto da investigação, o Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp) do MPSP obteve o sequestro de valores que podem atingir o montante total de R$ 1,1 bilhão. Entre os bens já identificados e bloqueados estão imóveis de luxo avaliados em pelo menos R$ 25 milhões, veículos, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras, representando um duro golpe à estrutura financeira da organização criminosa.
Próximos Passos na Combate à Fraude
Embora a fase atual da investigação se concentre primordialmente na lavagem de capitais, através da mescla de recursos ilícitos com negócios aparentemente lícitos, os crimes fiscais identificados durante o processo serão formalmente comunicados aos órgãos competentes. Esta medida assegura que todas as irregularidades tributárias recebam as devidas providências legais, ampliando o escopo da responsabilização dos envolvidos.
A operação representa um marco importante no combate à criminalidade organizada e à sonegação fiscal em larga escala, reforçando o compromisso das instituições públicas em desmantelar redes que utilizam a complexidade do sistema financeiro para promover atividades ilícitas e defraudar o erário e a sociedade.