Páscoa 2024: 90% dos Brasileiros Comprarão Chocolates Apesar da Percepção de Preços Altos, Aponta Pesquisa
A tradição da Páscoa segue forte no Brasil, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. Um levantamento recente do Instituto Locomotiva, em colaboração com a QuestionPro, revela que <b>impressionantes 90% dos consumidores brasileiros pretendem adquirir produtos relacionados à data neste ano</b>. Esse percentual, que representa cerca de 148 milhões de pessoas, marca um crescimento de quatro pontos percentuais em relação a 2023, quando a intenção de compra era de 86%.
O dado é particularmente notável considerando que 69% dos entrevistados consideram o preço dos ovos de Páscoa injusto quando comparado a barras de chocolate de peso equivalente. A pesquisa, realizada entre 25 de fevereiro e 13 de março, envolveu 1.557 brasileiros maiores de 18 anos, em todas as regiões do país, oferecendo um panorama abrangente sobre os hábitos de consumo e as expectativas para a celebração.
A Intenção de Compra e o Perfil do Consumidor

A análise detalhada da pesquisa mostra que a propensão a comprar chocolates e outros itens pascoais varia significativamente entre diferentes grupos demográficos. Observa-se uma intenção de compra mais elevada nas camadas de maior renda, com 95% das classes AB planejando adquirir produtos, em comparação com 88% na classe C e 80% nas classes DE. A presença de crianças no lar também influencia diretamente: 93% dos que têm filhos afirmam que comprarão, frente a 82% entre aqueles sem descendentes.
Quanto à finalidade da compra, a generosidade se destaca: 69% dos que comprarão chocolates pretendem presentear outras pessoas. Além disso, uma parcela considerável destina o chocolate para consumo próprio, com 67% adquirindo qualquer formato para si e 63% especificamente ovos de Páscoa para consumo individual.
Fatores Determinantes na Escolha do Produto
Apesar da intenção generalizada de compra, o consumidor brasileiro está atento a diversos aspectos na hora de decidir qual chocolate levar para casa. O preço figura como o fator mais importante para 61% dos entrevistados. No entanto, outros atributos também pesam na balança: a qualidade dos ingredientes é crucial para 53%, o tamanho do produto para 44%, a reputação da marca para 43%, e a variedade de sabores para 40%.
Aspectos como a embalagem (29%), o conteúdo temático – incluindo brindes e personagens (27%) –, e a disponibilidade de opções para dietas especiais, como produtos sem lactose ou veganos (12%), também influenciam a decisão. Um dado interessante é que 68% dos consumidores expressam preferência por produtos artesanais, elaborados por pequenos produtores. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destaca que, embora as marcas estabelecidas ainda dominem o volume de vendas, os chocolates artesanais estão ganhando espaço, impulsionados pela busca por itens mais personalizados e com propósito.
Preferências de Formato: Ovos e Alternativas Ganhando Força
Tradicionalmente associados à Páscoa, os ovos de chocolate continuam sendo os favoritos, especialmente para o público infantil, com 68% dos compradores optando por eles para crianças, em contraste com 56% que mencionam formatos tradicionais. Entre os adultos, a escolha para presentear é mais equilibrada: 66% pretendem dar ovos de Páscoa, enquanto 63% preferem formatos tradicionais. Quando questionados sobre o que gostariam de receber, tanto ovos quanto chocolates em formatos tradicionais registraram o mesmo percentual de preferência: 72%.
Meirelles explica que, embora o ovo permaneça um símbolo central na Páscoa, especialmente no ritual de presentear crianças, outros formatos estão ganhando relevância entre os adultos. “Em um cenário de preços elevados, o consumidor brasileiro começa a separar o gesto de presentear do produto em si, abrindo espaço para novas formas de consumo”, comenta, ressaltando uma adaptação do mercado e dos consumidores às realidades de preço.
Páscoa como Vetor de Empreendedorismo e Geração de Renda
A Páscoa não é apenas um período de consumo, mas também uma oportunidade de geração de renda para muitos. O levantamento aponta que 22% dos brasileiros, o equivalente a 36 milhões de pessoas, planejam produzir ou vender chocolates durante a data. Este percentual é ainda maior entre os jovens de 18 a 29 anos (29%) e nas classes DE (33%).
Esse índice representa um crescimento significativo em relação a 2023, quando 19% dos brasileiros manifestaram essa intenção, indicando um fortalecimento do espírito empreendedor e da microeconomia associada à celebração, oferecendo alternativas de trabalho e lucro para milhões de famílias.
Além do Chocolate: O Significado Social e Familiar da Páscoa
Para além do consumo de chocolate, a pesquisa reitera a importância da Páscoa como um momento de união e celebração familiar. Cerca de 82% dos brasileiros, ou 135 milhões de pessoas, concordam que a data é uma ocasião para estar com a família. Essa percepção se traduz em ação: 77% afirmam participar de almoços ou encontros especiais, sendo que 52% se reúnem exclusivamente com familiares e 42% celebram tanto com parentes quanto com amigos.
A Páscoa é também vista por 76% dos entrevistados como um momento ideal para presentear pessoas queridas, estendendo-se além dos chocolates. Para a ocasião, 54% planejam comprar alimentos para o almoço ou jantar (como peixes e sobremesas), 38% adquirirão bebidas, 32% investirão em produtos infantis ou brinquedos temáticos, e 28% comprarão itens de decoração, evidenciando a abrangência dos gastos e preparativos para a festividade.
Em resumo, a Páscoa de 2024 se desenha como uma data de resiliência e adaptação. Apesar das preocupações com os preços, a intenção de compra de chocolates permanece robusta, impulsionada por um mix de tradição, carinho e a busca por novas formas de celebrar e presentear. O estudo do Instituto Locomotiva e QuestionPro oferece um olhar profundo sobre as complexas dinâmicas do consumo e o significado multifacetado dessa importante celebração para os brasileiros, que também encontram nela uma importante fonte de oportunidades econômicas e de fortalecimento dos laços sociais.