Petrobras Adquire Participação Estratégica em Bloco de Exploração na Namíbia

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A Petrobras anunciou a aquisição de uma participação significativa em um bloco de exploração de petróleo na costa da Namíbia, um movimento que marca seu retorno estratégico ao país africano. A operação, divulgada por meio de fato relevante ao mercado, integra a estratégia da companhia para recompor suas reservas de petróleo e gás, reforçando sua busca por diversificação e crescimento em regiões com alto potencial exploratório. Esta iniciativa sublinha a crescente aposta da estatal brasileira no continente africano, reconhecido por suas promissoras formações geológicas.

Detalhes da Aquisição e o Consórcio Internacional Formado

A transação envolve a aquisição de 42,5% de participação no Bloco 2613, localizado na Bacia de Lüderitz, no sudoeste da África. Esta vasta área de exploração se estende por aproximadamente 11 mil quilômetros quadrados, o que corresponde a cerca da metade do território do estado de Sergipe. A petroleira francesa TotalEnergies, já parceira da Petrobras em outros projetos no Brasil, adquiriu uma fatia idêntica de 42,5% na mesma área. O consórcio é completado pela Namcor Exploration and Production, empresa estatal do governo da Namíbia, que detém 10%, e pela Eight Offshore Investment Holdings, com os 5% restantes. As participações da Petrobras e da TotalEnergies foram compradas das empresas Eight e Maravilla Oil & Gas. Embora o valor da transação não tenha sido especificado, a Petrobras informou que a sua concretização depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo as necessárias aprovações governamentais e regulatórias, notadamente do Ministério da Indústria, Minas e Energia da Namíbia.

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Racional Estratégico: Recomposição de Reservas e Conhecimento Geológico

Esta nova participação está alinhada aos esforços da Petrobras para recompor seu estoque de reservas de petróleo e gás, que, segundo projeções, pode começar a declinar na década de 2030. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, enfatizou que a companhia tem avaliado com extremo cuidado áreas que demonstram boas perspectivas, tanto no cenário doméstico quanto em outras partes do mundo. A diretora de Exploração da Petrobras, Sylvia Anjos, destacou o vasto conhecimento geológico da empresa sobre a região. Segundo Anjos, as formações da costa oeste africana possuem grande analogia com as bacias sedimentares brasileiras, o que proporciona uma vantagem estratégica e reforça o interesse em oportunidades na África, seguindo o padrão de investimentos em São Tomé e Príncipe e na África do Sul.

Consolidando a Presença no Continente Africano

A aquisição na Namíbia não é um evento isolado, mas sim parte de uma estratégia mais ampla da Petrobras para consolidar sua presença no continente africano, onde a empresa retomou suas operações em 2024. Em 8 de fevereiro de 2024, a estatal concluiu a aquisição de participações em três blocos exploratórios em São Tomé e Príncipe, na costa ocidental da África, detendo 45% em dois blocos e 25% no terceiro. Adicionalmente, em outubro do mesmo ano, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a atuação da companhia na África do Sul, viabilizando a aquisição de participação no bloco Deep Western Orange Basin (DWOB) por meio de um processo competitivo conduzido pela TotalEnergies. Esses investimentos reiteram a importância estratégica da África para o futuro da produção e das reservas da Petrobras.

Diversificação Global: Atuação da Petrobras nas Américas e em Outras Regiões

Além de sua expansão na África e de sua forte atuação no Brasil, a Petrobras mantém uma presença internacional diversificada. Na América do Sul, a empresa anunciou em dezembro de 2024 a descoberta da maior reserva de gás natural da história da Colômbia com o poço gigante Sirius-2, explorado em consórcio com a Ecopetrol, cuja capacidade equivale a quase metade da produção diária de gás da Petrobras no Brasil. Na Argentina, por meio da subsidiária Petrobras Operaciones S.A., a companhia detém uma participação de 33,6% no ativo de produção Rio Neuquén. Já na Bolívia, a petroleira produz gás principalmente nos campos de San Alberto e San Antonio, com 35% de participação em cada um desses contratos, visando principalmente o fornecimento de gás para o Brasil e o mercado boliviano. Nos Estados Unidos, a atuação se concentra em campos de águas profundas no Golfo do México, onde a Petrobras America Inc. possui 20% de participação em uma joint venture com a Murphy Exploration & Production Company (MPGoM).

Foco no Brasil: Pré-Sal e Novas Fronteiras Exploratórias

No cenário doméstico, a Petrobras continua a priorizar suas operações nas prolíficas bacias do pré-sal, localizadas no litoral do Sudeste, que já respondem pela maior parte de sua produção. Em paralelo, a empresa direciona esforços exploratórios para a Margem Equatorial, uma região no litoral norte com grande potencial e frequentemente citada como um "novo pré-sal". Outro ponto de interesse estratégico é a Bacia de Pelotas, no litoral sul do país. O interesse por essa bacia é intensificado pelas descobertas de petróleo no Uruguai e na própria costa africana – especificamente na Namíbia e África do Sul –, dadas as semelhanças geológicas entre essas costas, que indicam a possibilidade de novas reservas significativas.

Produção Recorde e Situação Atual das Reservas

Recentemente, a Petrobras demonstrou um desempenho robusto em sua produção. No ano de 2025, a companhia atingiu um recorde de produção total de petróleo, com uma média de 2,40 milhões de barris por dia (bpd), dos quais 82% foram provenientes do pré-sal. Em janeiro do mesmo ano, a estatal brasileira também informou que suas reservas totais de petróleo e gás alcançaram 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em 31 de dezembro de 2025. Desse total, 84% correspondem a óleo e condensado, e os 16% restantes a gás natural. Esses números consolidam a posição da Petrobras como uma das maiores produtoras de energia global, ao mesmo tempo em que justificam a busca contínua por novas reservas para assegurar sua sustentabilidade e liderança no longo prazo.

A aquisição na Namíbia reflete a estratégia multifacetada da Petrobras de fortalecer sua posição global, balanceando a exploração de suas ricas reservas domésticas com uma audaciosa expansão internacional. Ao investir em regiões com comprovado potencial e alavancar seu expertise geológico, a companhia busca não apenas recompor suas reservas futuras, mas também diversificar seus ativos e garantir sua resiliência em um cenário energético em constante evolução. Este movimento demonstra a visão da Petrobras de se consolidar como uma empresa de energia integrada e com atuação global estratégica, visando a sustentabilidade e a segurança energética.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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