PGR Se Manifesta Favorável à Prisão Domiciliar Humanitária para Jair Bolsonaro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer que recomenda a concessão de prisão domiciliar humanitária para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação, datada desta segunda-feira (23), baseia-se exclusivamente em razões de saúde, diante do quadro clínico delicado que acomete o ex-mandatário e a necessidade de monitoramento contínuo de seu estado.
A Justificativa da Procuradoria-Geral da República
Em seu posicionamento, Gonet sublinhou a imperatividade da medida, afirmando que a prisão domiciliar se faz necessária para garantir os cuidados indispensáveis e o acompanhamento integral da saúde de Bolsonaro. O documento oficializa que a condição do ex-presidente é “comprovadamente, sujeita a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, o que reforça a urgência de um ambiente que permita vigilância médica constante e adequada.

Internação e Diagnóstico: O Agravamento do Quadro de Saúde
A solicitação de prisão domiciliar pela defesa de Bolsonaro ganhou força após uma recente crise de saúde. Em 13 de março, o ex-presidente, que tem 71 anos, sentiu-se mal em sua cela e foi levado às pressas para atendimento hospitalar. Ao chegar ao hospital DF Star, em Brasília, foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apresentando sintomas como sudorese, calafrios e baixa oxigenação.
Posteriormente, o diagnóstico revelou um quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral, de provável origem aspirativa. Médicos que o atenderam chegaram a citar um risco de morte no momento de sua transferência, enfatizando a gravidade da situação. Embora o ex-presidente tenha apresentado melhora clínica e laboratorial, ele permanece internado na UTI, demandando um acompanhamento médico intensivo e especializado.
O Contexto da Pena e a Prisão Atual
Jair Bolsonaro cumpre pena na chamada Papudinha, uma ala de celas especiais localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por múltiplos crimes, incluindo liderança de uma organização criminosa armada e tentativas de golpe de Estado, delitos praticados contra a ordem democrática do país. A defesa, então, reiterou o pedido de prisão domiciliar após a recente internação, argumentando sobre o risco iminente de um mal súbito e a inabilidade da estrutura prisional em oferecer o monitoramento de saúde necessário.
Tramitação no STF: Os Próximos Passos da Decisão
O pedido de manifestação da PGR sobre a prisão domiciliar foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro, na última sexta-feira (20). Com o parecer favorável de Paulo Gonet, o processo retorna ao ministro Moraes, a quem caberá a decisão final sobre a concessão ou não da prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. A expectativa é que o Supremo analise a questão com base nos laudos médicos apresentados e nas ponderações da Procuradoria, definindo o regime de cumprimento de pena de Bolsonaro diante de seu estado de saúde.