Programa ‘Juros por Educação’: Estados Devedores Deverão Abrir 600 Mil Vagas no Ensino Profissional

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O Brasil se prepara para uma significativa expansão na oferta de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) de nível médio. Vinte e dois estados brasileiros que aderiram ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) terão a incumbência de criar 600 mil novas matrículas nesta modalidade de ensino até o final de 2026. A medida, detalhada em portaria do Ministério da Educação (MEC) publicada no Diário Oficial da União, é um pilar central do programa 'Juros por Educação', concebido para atrelar a renegociação de dívidas estaduais com a União ao investimento estratégico na formação profissional.

O 'Juros por Educação' e a Reestruturação das Dívidas Estaduais

O programa 'Juros por Educação' surge como parte integrante do Propag, instituído pela Lei Complementar 212/2025, oferecendo uma nova perspectiva para a saúde financeira dos entes federativos. Essa iniciativa permite que estados e o Distrito Federal renegociem suas obrigações financeiras com o governo federal, proporcionando benefícios substanciais. Os termos incluem descontos nas taxas de juros anuais, um parcelamento estendido de até 30 anos e a flexibilidade de amortizações extraordinárias, além de uma redução nos valores das parcelas durante os primeiros cinco anos do acordo. A economia gerada por essa renegociação não se destina apenas ao alívio fiscal, mas é diretamente direcionada a investimentos cruciais na expansão da educação profissional e na melhoria da infraestrutura dos cursos técnicos de nível médio.

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Ampliando o Acesso e Melhorando a Qualidade da Educação Profissional

A meta de 600 mil novas matrículas no ensino profissional e tecnológico não representa apenas um número, mas um compromisso com a valorização e expansão de uma área vital para o desenvolvimento do país. Além de fortalecer a EPT, a iniciativa do MEC persegue múltiplos objetivos: atuar preventivamente contra a evasão escolar, aprimorar a infraestrutura das instituições de ensino, promover a capacitação contínua dos educadores e, fundamentalmente, estabelecer uma conexão mais robusta entre o universo educacional e as demandas do mercado de trabalho. Essa visão estratégica visa qualificar a mão de obra, impulsionar a inovação e preparar os jovens para os desafios da economia moderna.

Definição de Metas e a Diversidade de Ofertas Educacionais

A determinação das metas de novas vagas para cada estado baseia-se em critérios técnicos e demográficos rigorosos. O cálculo considera as diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, que delineia as políticas educacionais para a próxima década, e as informações populacionais do mais recente Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O MEC adota uma metodologia que analisa a meta nacional de matrículas, a meta estadual, o déficit de cada estado e os volumes de matrículas tanto em nível estadual quanto nacional. Os 22 estados participantes do Propag, que incluem Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins, terão flexibilidade para ofertar os cursos técnicos em diversas modalidades. Isso abrange desde a educação de jovens e adultos (EJA) até a aprendizagem profissional, que pode ser articulada simultaneamente com o ensino médio regular ou de forma subsequente, para aqueles que já concluíram o ensino médio, sempre respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional e Tecnológica.

Transparência e Monitoramento Contínuo do Programa

Para assegurar a efetividade e a transparência do 'Juros por Educação', um robusto sistema de acompanhamento e avaliação foi estabelecido. Serão consideradas válidas apenas as matrículas ofertadas diretamente pelas redes estaduais de ensino ou por meio de parcerias formalizadas, desde que estejam devidamente registradas em um módulo específico do Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec). O MEC será o órgão responsável pela avaliação contínua do programa, realizando um acompanhamento sistemático por meio da publicação periódica de balanços e relatórios de resultados. Essa vigilância garante que os recursos sejam aplicados de forma eficiente e que os objetivos de expansão e qualificação da EPT sejam plenamente atingidos, beneficiando milhões de estudantes e impulsionando o desenvolvimento socioeconômico do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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