Vendas do Varejo Atingem Patamar Recorde Impulsionadas por Crédito e Emprego, Desafiando Juros Altos

0 1

O comércio varejista brasileiro registrou um desempenho histórico, alcançando o maior patamar de vendas já aferido, um feito notável que se concretiza em um cenário de elevadas taxas de juros. A resiliência do setor é atribuída principalmente à robusta oferta de crédito para pessoas físicas e a um mercado de trabalho aquecido, com níveis de desemprego em mínimos históricos, conforme análise divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desempenho Recorde do Comércio em Janeiro

Os dados mais recentes da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE revelam que o volume de vendas no varejo expandiu 0,4% em janeiro, na comparação com dezembro, consolidando-se no pico histórico de vendas, igualando o nível observado em novembro de 2023. Esse crescimento foi replicado no segmento de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que também registrou um avanço de 0,4%, atingindo seu maior patamar. Este setor é um dos principais termômetros do comércio, representando mais da metade do total das vendas varejistas, com um peso de 55,2%.

Banner Header PMM 2

O Impulso do Mercado de Trabalho Robusto

O gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, Cristiano Santos, enfatiza o papel crucial do mercado de trabalho como motor da economia e, consequentemente, das vendas. A massa salarial, que representa o total dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, atingiu um recorde de R$ 370,3 bilhões em janeiro, com um crescimento de 2,9% em relação ao mês anterior. Paralelamente, o país registrou a menor taxa de desemprego já apurada, de 5,4%, no trimestre encerrado em janeiro, acompanhada de um número recorde de 102,7 milhões de pessoas ocupadas no período. Esses indicadores demonstram um aumento significativo no poder de compra da população, fundamental para a dinâmica do consumo.

A Resiliência do Crédito Pessoal Contra a Corrente

Apesar do cenário de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano – o maior patamar desde julho de 2006 –, o crédito à pessoa física manteve sua trajetória de expansão, registrando um crescimento de 1,6% em janeiro frente a dezembro. Santos destaca que essa continuidade no crescimento do crédito tem sido um pilar para a sustentação e expansão do comércio, ou, no mínimo, para a manutenção das vendas em um patamar elevado. Embora tenha havido um recuo nos empréstimos para aquisição de veículos, o pesquisador sublinha que o crédito pessoal em geral é o principal vetor para o comércio.

Dinâmicas por Trás da Expansão do Crédito em Juros Altos

A taxa Selic, determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, atua como um instrumento para conter a inflação, que permaneceu acima da meta em boa parte do ano anterior. Juros altos encarecem o crédito e desestimulam investimentos e o consumo, buscando reduzir a demanda e, por consequência, a pressão inflacionária, com o efeito colateral de desacelerar a economia e, potencialmente, diminuir a geração de empregos. Contudo, a economista Gecilda Esteves, professora da faculdade Ibmec-RJ, oferece uma explicação para a expansão do crédito à pessoa física em meio a esse ambiente restritivo: a crescente concorrência entre instituições financeiras e o avanço da bancarização.

Inovação Financeira e Concorrência Aquecem o Mercado

Gecilda Esteves ressalta que a proliferação das fintechs – empresas de tecnologia financeira – e o processo de digitalização bancária resultaram em um aumento significativo no número de ofertantes de crédito. Mais instituições financeiras e fintechs significam maior capacidade de oferta de recursos e uma distribuição mais eficiente. Essa dinâmica impulsiona a inclusão bancária, permitindo que mais indivíduos acessem serviços financeiros e, consequentemente, o crédito. Adicionalmente, o sistema Open Finance, que permite o compartilhamento consentido de dados bancários entre instituições, aprimora a análise de risco, contribuindo para que o crédito se torne mais acessível e, potencialmente, mais barato para os consumidores.

Perspectivas para o Consumo Brasileiro

A conjugação de um mercado de trabalho fortalecido, que proporciona maior poder aquisitivo à população, e a resiliência do crédito pessoal, impulsionada por uma maior concorrência e inovações no setor financeiro, criou um ambiente propício para o consumo. Mesmo diante da política monetária restritiva, esses fatores permitiram que o comércio varejista não apenas mantivesse seu ritmo, mas atingisse um patamar sem precedentes. Este cenário sublinha a capacidade de adaptação e a força da demanda interna, sinalizando a importância contínua do emprego e do acesso ao crédito como pilares para a sustentação econômica do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Comentários
Carregando...