Brasil Alcança Mínimo Histórico na Mortalidade Infantil, mas Desafios Persistem

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O Brasil registrou as menores taxas de mortalidade neonatal e em crianças abaixo dos cinco anos em 34 anos, um marco significativo para a saúde pública do país. O feito foi revelado pelo relatório 'Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil', divulgado pelas Nações Unidas, com dados que refletem um panorama de sucesso nas políticas de saúde, embora também apontem para a necessidade de esforços contínuos e renovados.

Conquista Histórica: A Redução da Mortalidade Infantil

Os dados mais recentes da Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, mostram uma impressionante melhora nos indicadores de saúde infantil. Em 1990, a cada mil nascidos vivos, 25 bebês não resistiam aos primeiros 28 dias de vida. Atualmente, esse número caiu drasticamente para sete mortes por mil nascimentos. A evolução é igualmente notável na mortalidade de crianças menores de cinco anos: enquanto em 1990 63 a cada mil faleciam antes do quinto aniversário, essa taxa foi reduzida para 34 por mil nos anos 2000 e, nos dados mais recentes, atingiu 14,2 mortes por mil, representando uma diminuição expressiva e milhares de vidas salvas.

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Políticas Públicas e Colaboração: Os Pilares do Sucesso

Essa queda recorde na mortalidade infantil é atribuída a um conjunto robusto de políticas públicas implementadas no Brasil desde os anos 1990. Iniciativas como o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde e a Política Nacional de Atenção Básica foram cruciais para promover a saúde de mães, bebês e crianças. A expansão da rede pública de saúde, aliada ao apoio fundamental da sociedade brasileira e de organizações internacionais como o próprio Unicef, fortaleceu a atenção primária e preventiva.

Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, ressalta a magnitude dessa transformação: 'Estamos falando de milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam e hoje podem crescer, se desenvolver com saúde e chegar até a vida adulta'. Ela enfatiza que 'essa mudança foi possível porque o Brasil escolheu investir em políticas que funcionam, como a vacinação e o incentivo à amamentação'. A visão estratégica e o compromisso com essas ações foram determinantes para o cenário atual.

Desaceleração e os Desafios Futuros

Apesar dos avanços incontestáveis, o relatório também aponta para uma desaceleração no ritmo de redução da mortalidade infantil na última década, uma tendência observada globalmente. Entre 2000 e 2009, o Brasil diminuía a mortalidade de recém-nascidos em 4,9% anualmente. No período de 2010 a 2024, no entanto, essa taxa de redução anual caiu para 3,16%. Globalmente, embora as mortes de crianças menores de cinco anos tenham diminuído em mais da metade desde 2000, o ritmo de redução desacelerou em mais de 60% desde 2015, indicando que os esforços precisam ser intensificados para sustentar e acelerar o progresso.

Além da Primeira Infância: A Mortalidade de Adolescentes e Jovens

O levantamento da ONU não se restringe à primeira infância, revelando dados preocupantes sobre a mortalidade de adolescentes e jovens. Em 2024, aproximadamente 2,1 milhões de indivíduos entre cinco e 24 anos perderam a vida em todo o planeta. No Brasil, as causas de óbito nessa faixa etária apresentam particularidades que demandam atenção específica.

Causas no Brasil: Uma Análise por Gênero

No Brasil, as estatísticas de mortalidade entre adolescentes e jovens de 15 a 19 anos variam significativamente por gênero. Para os meninos, a violência foi a causa responsável por quase metade das mortes (49%), seguida por doenças não transmissíveis (18%) e acidentes de trânsito (14%). Já entre as meninas da mesma faixa etária, as doenças não transmissíveis foram a principal causa (37%), seguidas por doenças transmissíveis (17%), violência (12%) e suicídio (10%). Esses dados sublinham a necessidade de abordagens de saúde pública que contemplem as vulnerabilidades específicas de cada grupo.

Investimento Estratégico para o Futuro

O Unicef, citando os apontamentos do relatório, reforça que o investimento em saúde infantil é uma das medidas de desenvolvimento mais custo-efetivas. Intervenções de baixo custo e comprovada eficácia, como programas de vacinação, tratamento da desnutrição e a garantia de profissionais de saúde qualificados durante a gestação, parto e pós-parto, geram retornos substanciais em saúde global. Essas ações não apenas salvam vidas, mas também aumentam a produtividade, fortalecem economias e reduzem futuros gastos públicos. A entidade estima que cada dólar investido na sobrevivência infantil pode gerar até 20 dólares em benefícios sociais e econômicos. O relatório global é fruto de uma colaboração entre o Grupo Interagencial das Organizações das Nações Unidas (ONU) para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), o Banco Mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa/ONU).

Diante desses dados, torna-se imperativo não apenas celebrar as conquistas, mas também 'voltar a acelerar esses esforços, mantendo e ampliando os avanços históricos das últimas décadas e alcançando aqueles nos quais essas políticas ainda não chegam como deveriam', conforme reitera Luciana Phebo. O caminho para erradicar completamente a mortalidade infantil prevenível exige compromisso contínuo e a expansão do acesso a serviços essenciais para todas as crianças, sem exceção.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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