Aleida Guevara Alerta para Risco de Invasão dos EUA a Cuba e Critica Bloqueio

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Em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, a médica Aleida Guevara, filha do icônico líder revolucionário Ernesto 'Che' Guevara, expressou profunda preocupação com a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba. Durante uma recente visita ao Brasil, Aleida, aos 65 anos, compartilhou a sensação de iminência de um ataque na ilha, atribuindo-a à imprevisibilidade da então administração norte-americana. Suas declarações ecoam um sentimento generalizado de vigilância em Cuba, intensificado pelo endurecimento do bloqueio econômico e energético que historicamente desafia a soberania cubana.

A Perspectiva Cubana Diante da Ameaça Externa

A iminente ameaça de uma invasão, segundo Aleida Guevara, não é um temor infundado, mas uma constante preocupação para os cubanos, dada a proximidade geográfica com os Estados Unidos e o histórico de relações conflituosas. Ela descreveu a postura da liderança americana como 'louca' e 'fora de si', tornando impossível prever suas ações. A filha de Che Guevara evocou a memória de Fidel Castro, citando: 'Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme', um grito de resistência que simboliza a determinação cubana em face de qualquer adversidade. Esta percepção de perigo iminente foi um dos motivos que a impeliu a retornar rapidamente à sua terra natal após seus compromissos no Brasil, reforçando sua convicção de que seu lugar é ao lado de seu povo em tempos de crise.

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Resiliência e Unidade Frente ao Bloqueio Econômico

O bloqueio econômico imposto pelos EUA a Cuba há mais de seis décadas, que inclui a privação de suprimentos essenciais como petróleo – exemplificado por um período de três meses sem recebimento de combustível –, tem como objetivo declarado minar o apoio popular ao governo. No entanto, Aleida Guevara argumenta que essa estratégia falha em seu propósito. Ela observa que a maioria da população cubana mantém-se fiel aos princípios da Revolução de 1959, que estabeleceu o primeiro estado socialista na América Latina, desafiando a hegemonia estadunidense na região. Curiosamente, a médica aponta que a intransigência e a 'falta de inteligência' das políticas americanas acabam por fortalecer a unidade interna cubana, pois até mesmo alguns opositores em Miami têm reconsiderado seu apoio ao bloqueio, ao constatar o sofrimento de seus familiares na ilha, privados de acesso a gasolina e medicamentos.

Solidariedade Regional e a Luta por Soberania Alimentar

Durante sua estadia no Brasil, Aleida Guevara participou do 4º Encontro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), onde abordou a crucial questão da reforma agrária. Ela descreveu a ausência de uma reforma agrária profunda e real como o 'calcanar de Aquiles' do Brasil, um obstáculo significativo para resolver problemas de alimentação e soberania alimentar. A visita também revelou a forte solidariedade entre o campesinato brasileiro e Cuba, com participantes do evento expressando apoio ao socialismo e identificando Cuba como um 'farol de liberdade e dignidade humanas'. Esse intercâmbio de ideias sublinha a importância da cooperação e do alinhamento ideológico entre movimentos sociais latino-americanos na busca por justiça social e autonomia.

Lições de Consciência Social na Região

Para Aleida Guevara, a consciência social e a educação são ferramentas vitais para o povo cubano compreender seu entorno e as dinâmicas de poder regional. Ela citou exemplos como o Haiti e Porto Rico, este último uma colônia americana, para ilustrar as consequências da política externa dos EUA. Recordando a visita do então presidente americano a Porto Rico após um ciclone, quando atitudes desrespeitosas foram observadas, ela enfatizou como tais eventos servem de alerta para Cuba. A capacidade de analisar criticamente o comportamento do 'império' fortalece a determinação do povo cubano em proteger suas conquistas e seu modelo de desenvolvimento, distinto daquele promovido pelos Estados Unidos.

A percepção de Aleida Guevara revela um país em constante estado de alerta, mas também resiliente e unificado. Suas palavras, carregadas da herança revolucionária de seu pai, reforçam a mensagem de que, apesar das pressões externas e da imprevisibilidade política, Cuba mantém-se firme em seus princípios, buscando fortalecer laços de solidariedade e reivindicando seu direito à autodeterminação em um cenário global complexo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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