CPI do Crime Organizado Convida Ministros Moraes e Toffoli para Esclarecimentos sobre o Banco Master
Em um desdobramento significativo das investigações sobre fraudes financeiras, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, aprovou nesta quarta-feira (25) o envio de convites aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A medida visa obter esclarecimentos no âmbito das apurações que envolvem o Banco Master e que já tramitam na Suprema Corte. Além dos magistrados, seus respectivos cônjuges e irmãos também foram convidados a comparecer perante a comissão, sublinhando a amplitude do escrutínio parlamentar sobre o caso.
Do Pedido de Convocação ao Convite: A Opção pela Voluntariedade
A deliberação da CPI marca uma mudança crucial na estratégia parlamentar. Inicialmente, os requerimentos apresentados pelos senadores pleiteavam a convocação dos envolvidos, o que, em tese, imporia a obrigação de comparecimento. Contudo, devido à ausência de consenso entre os membros da comissão, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), optou por retirar os pedidos de pauta e substituí-los por convites. Essa alteração confere aos ministros e seus familiares a prerrogativa de decidir se aceitam ou não o chamado para prestar depoimento.

O Envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes: Reuniões e Controvérsias
A justificativa para o convite ao ministro Alexandre de Moraes, proposta pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), baseia-se em notícias veiculadas pela imprensa que apontavam para supostas reuniões entre o magistrado e o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. O teor desses encontros, segundo as reportagens, estaria relacionado à liquidação do Banco Master. Tanto Moraes quanto Galípolo negaram veementemente as alegações, afirmando que as discussões se concentraram exclusivamente na Lei Magnitsky, utilizada pelos Estados Unidos em represália a ações do STF contra plataformas digitais americanas e no contexto do julgamento da trama golpista. A oposição tem explorado o caso do Banco Master na tentativa de vincular o ministro, relator do processo que resultou na prisão de ex-aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Viviane Barci de Moraes: Contratos e o Arquivamento da PGR
O requerimento para ouvir Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, decorre de informações jornalísticas indicando que seu escritório de advocacia teria mantido contratos com o Banco Master. O senador Girão ressaltou que, embora tais circunstâncias não configurem, por si só, ilicitude, ganham relevância quando analisadas em um contexto de potencial captura institucional e sobreposição entre interesses privados e a esfera pública. No entanto, é importante destacar que, no final do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou um pedido de investigação sobre supostas irregularidades envolvendo a advogada e o Banco Master, com o procurador Paulo Gonet afirmando não vislumbrar qualquer ilicitude que justificasse a intervenção do órgão.
Dias Toffoli e as Conexões Familiares com o Ecossistema do Banco Master
Similarmente, o ministro Dias Toffoli e seu irmão, José Carlos Dias Toffoli, foram alvo de requerimentos aprovados pela CPI, igualmente no contexto da investigação sobre as fraudes no Banco Master. O senador Girão, em seu requerimento, levanta questionamentos sobre decisões proferidas pelo ministro Toffoli quando este era relator do caso no STF, classificando-as como “pouco usuais” para investigações de alta complexidade. A preocupação central reside na percepção de imparcialidade, dado o papel do ministro no Supremo e os alegados laços econômicos de seu irmão com o universo financeiro sob investigação.
As Relações Empresariais de José Carlos Dias Toffoli
O convite direcionado a José Carlos Dias Toffoli fundamenta-se em notícias que apontam para uma sociedade do irmão do ministro com o Banco Master em um empreendimento turístico localizado no Paraná. Segundo o documento votado na CPI, a participação, embora encerrada em 2025, ocorreu em meio a transações onde um fundo de investimento que adquiriu cotas no projeto tinha como proprietário uma figura supostamente ligada por laços familiares ao controlador do Banco Master. O senador argumenta que, sem imputar qualquer ilicitude penal, a existência de interesses econômicos familiares conectados, mesmo que indiretamente, ao mesmo ecossistema financeiro investigado, gera dúvidas legítimas quanto à imparcialidade objetiva nas decisões que afetam o caso.
Perspectivas da CPI e o Clamor por Transparência
A decisão da CPI do Crime Organizado de convidar ministros do STF e seus familiares demonstra a determinação do legislativo em aprofundar as investigações sobre o Banco Master e as possíveis ramificações no cenário político e jurídico. Embora os convites confiram a prerrogativa de escolha sobre o comparecimento, a expectativa é que a transparência e o interesse público prevaleçam. A comissão continua seu trabalho de coleta de informações, buscando elucidar os fatos e garantir a responsabilidade em um caso que envolve vultosas fraudes e acusações de potenciais conflitos de interesse em altas esferas.