Moraes Rejeita Recursos da Cúpula da PMDF Condenada por Omissão no 8 de Janeiro
O cenário judicial referente aos atos de 8 de janeiro de 2023 ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (13), com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votando pela rejeição dos recursos apresentados por cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Os oficiais foram previamente condenados por suas condutas omissas durante os eventos golpistas que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília.
A decisão de Moraes, que atua como relator do caso, é o primeiro movimento no julgamento virtual da Primeira Turma do Supremo. Este passo inicial reforça a postura do Judiciário em relação à responsabilização pelos acontecimentos que abalaram a democracia brasileira.
O Voto Decisivo do Relator

O ministro Alexandre de Moraes, ao analisar os argumentos das defesas, optou por refutar integralmente os pedidos de reversão da condenação. Entre as alegações contestadas estavam a suposta ocorrência de cerceamento de defesa e a argumentação de que a competência para julgar os delitos deveria pertencer à Justiça Militar, e não ao STF. O julgamento da Primeira Turma, que ocorre em ambiente virtual, segue em aberto para os votos dos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, que têm até 24 de fevereiro para proferir suas decisões.
A Condenação Original da Cúpula da PMDF
Em dezembro do ano passado, a Primeira Turma do STF havia condenado, por unanimidade, os cinco oficiais da PMDF: Fábio Augusto Vieira (ex-comandante-geral), Klepter Rosa Gonçalves (ex-subcomandante-geral), e os coronéis Jorge Eduardo Barreto Naime, Paulo José Ferreira de Sousa e Marcelo Casimiro Vasconcelos. A pena imposta foi de 16 anos de prisão, acompanhada da perda de seus cargos públicos.
O colegiado sustentou que os réus agiram de forma omissa durante os atos antidemocráticos, sendo responsabilizados por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Durante o processo, as defesas haviam questionado a jurisdição do STF, alegando ausência de foro privilegiado para os acusados, e também reclamaram de suposto cerceamento de defesa por falta de acesso completo à documentação processual.
As Acusações da Procuradoria-Geral da República
A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi crucial para a condenação. Segundo Gonet, a liderança da Polícia Militar do Distrito Federal possuía informações de inteligência detalhadas sobre o risco de atentados aos Três Poderes nos dias 7 e 8 de janeiro de 2023. No entanto, o planejamento de segurança realizado pela cúpula da corporação foi considerado ineficiente, com a acusação de que houve uma 'ignorância deliberada' das informações que indicavam a iminência de invasões a edifícios públicos e confrontos violentos, mesmo com o conhecimento de que havia indivíduos dispostos a atos extremos.
O Contexto dos Atos Antidemocráticos de 8 de Janeiro
O 8 de janeiro de 2023 marcou um dos episódios mais graves da história democrática recente do Brasil. Milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, inconformados com o resultado das eleições, reuniram-se na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A manifestação escalou para atos de violência, culminando na invasão e depredação das sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. Os prejuízos materiais estimados ultrapassaram R$ 30 milhões.
A inação das forças de segurança do Distrito Federal, responsáveis pela proteção dos prédios públicos e pela ordem na capital, foi um ponto central na investigação. A falta de impedimento eficaz dos manifestantes que avançaram sobre as instituições democráticas levou às acusações de omissão contra a liderança da PMDF, conforme as provas e denúncias apresentadas ao longo do processo judicial.
Próximos Passos no Julgamento
Com o voto do relator Alexandre de Moraes, o processo de ratificação ou reforma das condenações entra em uma fase decisiva. A expectativa agora se volta para as manifestações dos demais ministros da Primeira Turma. O resultado final dos recursos terá implicações significativas para a responsabilização dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e para a consolidação da segurança jurídica e democrática no país, reafirmando a importância da atuação das forças de segurança em defesa do Estado Democrático de Direito.