Vik Muniz: A Megarretrospectiva ‘A Olho Nu’ Desembarca no CCBB Rio com Obras Inéditas

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O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) se prepara para receber, a partir do dia 20 de maio, a maior retrospectiva já dedicada à produção do renomado artista plástico Vik Muniz. Intitulada “Vik Muniz – A Olho Nu”, a exposição promete uma imersão profunda na trajetória do artista, apresentando um volume de trabalhos e inovações jamais visto em suas edições anteriores em Recife e Salvador, onde atraiu mais de 150 mil visitantes.

Com entrada gratuita, a mostra estará aberta ao público de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, até o dia 7 de setembro. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria do CCBB RJ ou através do site, convidando a todos para uma experiência artística acessível e enriquecedora na capital fluminense.

Uma Visão Abrangente e Ampliada da Trajetória de Vik Muniz

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Curada por Daniel Rangel, a edição carioca da mostra é, de fato, a mais completa já montada sobre Vik Muniz. Contando com quase 250 obras, que abrangem tanto fotografias quanto esculturas, a exposição celebra mais de 40 anos da carreira multifacetada do artista. O diferencial no CCBB RJ reside na sua significativa ampliação, incorporando inúmeras peças que não foram exibidas nas cidades anteriores e introduzindo uma série de trabalhos inéditos.

Rangel destaca que esta é a primeira vez que uma exposição reúne simultaneamente as séries de fotografias e as esculturas do início da carreira de Muniz, proporcionando uma perspectiva única sobre sua evolução artística. Mesmo para aqueles que já estão familiarizados com a obra do artista, a amplitude e a curadoria detalhada prometem surpresas e novos ângulos de apreciação.

A Poética da Aproximação: Arte que Conecta

A arte de Vik Muniz distingue-se pela sua capacidade de engajar o público, quebrando barreiras através do humor, da familiaridade das imagens e, sobretudo, do uso engenhoso de materiais cotidianos. Brinquedos, chocolate e recortes de revistas são transformados em obras de arte, convidando o espectador a um “mergulho” no processo criativo e a uma identificação profunda com as representações.

Essa escolha de elementos do dia a dia permite que as pessoas se sintam próximas das imagens, reconhecendo nelas fragmentos de seu próprio universo. Ao contrário de muitos artistas que buscam um certo distanciamento, Muniz cultiva a aproximação, não só em suas obras principais, mas também em extensões de seu trabalho, como capas de discos e aberturas de novelas. Ele democratiza o espaço da arte, convidando o público a uma curiosidade ativa sobre o fazer artístico e dissolvendo as fronteiras entre o criador e o observador comum.

Instalações Monumentais e Obras Exclusivas para o Rio

A exposição no CCBB RJ reserva uma série de surpresas, com obras especialmente concebidas ou apresentadas pela primeira vez na cidade. Entre elas, destacam-se três instalações de grande impacto visual no andar térreo do edifício histórico.

Homenagem e Memória: O Pterossauro do Museu Nacional

Uma das criações mais emblemáticas para esta edição é o “Tropeognathusmesembrinus”, um gigantesco pterossauro suspenso na Rotunda do CCBB RJ. Com impressionantes 8,20 metros de envergadura e 2,55 metros de comprimento, a escultura foi desenvolvida em colaboração com o laboratório do Museu Nacional. Sua matéria-prima, um polímero infundido com cinzas do próprio museu, atingido por um trágico incêndio em 2018, confere à obra um profundo significado de memória e reconstrução. Integrante da série 'Museu de Cinzas', esta peça pode ser admirada tanto do térreo quanto do segundo andar, oferecendo diferentes perspectivas.

Releituras Icônicas e Memórias Afetivas

Completando as novidades do andar térreo, um tapete redondo de dez metros de diâmetro, cobrindo o chão da Rotunda, apresenta a famosa imagem de “Medusa Marinara” (1997), em que o mito greco-romano é recriado com molho de tomate. A obra original, uma impressão em jato de tinta em papel archival com 1,70 metro de diâmetro, também está presente na exposição, no primeiro andar.

Outra adição marcante é a escultura 'Ferrari Berlinetta' (2014/2026), parte da série 'Veículos Mnemônicos'. Vinda diretamente de Turim, Itália, onde foi produzida por Vik Muniz, a obra reproduz em tamanho real um carrinho de brinquedo da infância do artista, completo com seus arranhões e marcas do tempo. Com mais de quatro metros de comprimento e 650 quilos, a Ferrari é um testemunho da capacidade de Muniz de transformar objetos cotidianos e memórias pessoais em experiências monumentais, convidando à reflexão sobre a infância e o valor dos objetos.

A Profundidade de Novas Séries e Restaurações

A abrangência da exposição 'A Olho Nu' no Rio de Janeiro se manifesta não apenas nas instalações monumentais, mas também na inclusão de seis novas séries de trabalhos que não foram vistas em Recife e Salvador. Entre elas, destacam-se 'Principia' (1997–2002), com seu caráter interativo, 'Verso' (2008/2012), 'Veículos Mnemônicos' (2014/2026), 'Museu de Cinzas' (2019/2026), 'Colônias' (2014-2016) e 'Os Arquivos de Weimar' (2004).

Além dessas novas séries, a mostra também apresenta trabalhos restaurados, recriados em novas versões e edições atualizadas, demonstrando a contínua experimentação e revisitação de sua própria obra por Vik Muniz. No total, a exposição reúne 43 diferentes séries de fotografias e esculturas, cinco das quais foram especialmente criadas para esta etapa no CCBB Rio de Janeiro, reafirmando o caráter inédito e exclusivo da experiência carioca.

Um Convite à Reflexão e à Conexão Artística

A retrospectiva “Vik Muniz – A Olho Nu” no CCBB RJ não é apenas uma mostra de arte, mas um convite a uma jornada pela criatividade e pela forma como o artista transcende o lugar comum das artes visuais. Através de sua poética que democratiza o acesso e o entendimento da arte, Vik Muniz constrói pontes entre o público e o processo criativo.

Esta é uma oportunidade imperdível para o público carioca e visitantes mergulharem na vasta e engajadora obra de um dos maiores artistas contemporâneos do Brasil, testemunhando a inovação, a profundidade e o diálogo constante que suas criações estabelecem com o mundo e com a memória coletiva.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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