Dia da África: Brasil Revitaliza Laços Multifacetados e Estratégicos com o Continente

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Nesta segunda-feira, 25 de maio, o Brasil celebra o Dia da África, uma data que ressalta a importância de um continente com o qual as relações brasileiras têm sido intensificadas de forma notável sob a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este movimento estratégico transcende a busca por diversificação comercial, abraçando um profundo reforço de laços culturais, diplomáticos, científicos e históricos que unem o Brasil aos países africanos.

A Diplomacia Ativa do Brasil com a África

A revitalização da política externa brasileira em relação à África é evidenciada pela intensa agenda do presidente Lula, que realizou sete viagens ao continente desde o início de sua atual gestão, visitando nações como África do Sul (duas vezes), Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique. Paralelamente, o Brasil recebeu seis chefes de Estado africanos em Brasília, incluindo os presidentes Patrice Talon do Benim, Bola Tinubu da Nigéria e João Lourenço de Angola. Esses encontros resultaram na assinatura de diversos acordos e memorandos de entendimento, abrangendo áreas cruciais como agricultura, aviação civil, defesa, saúde, educação e turismo, solidificando as bases para uma cooperação abrangente e mutuamente benéfica.

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Profundas Raízes Históricas e Culturais

Os laços entre Brasil e África são forjados por uma história compartilhada de séculos. O Brasil, infelizmente, foi o principal destino de africanos escravizados, recebendo cerca de 4,8 milhões dos 12 milhões de indivíduos sequestrados entre os séculos XVI e XIX. Essa herança moldou profundamente a cultura e a sociedade brasileira. A intensidade dessa conexão é ilustrada pelo período colonial, quando Luanda e Benguela, cidades portuárias controladas por Portugal, chegaram a defender a anexação de Angola ao Brasil recém-independente. Reconhecendo essa ligação intrínseca, o Ministério da Cultura do Brasil, em abril deste ano, firmou acordos com Angola para integrar arquivos históricos sobre a escravidão em ambos os países, além de promover maior cooperação nas áreas cultural e artística.

O Potencial Econômico e Estratégico do Continente Africano

A estratégia de aproximação com a África é impulsionada não apenas por afinidades históricas, mas também por uma visão pragmática das oportunidades econômicas e comerciais. O embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), salientou que o cenário atual de maior protecionismo por parte de países desenvolvidos torna imperativa a diversificação de parceiros. Ele destacou a África como um continente com imenso potencial, abrigando 1,5 bilhão de habitantes – sendo mais de 60% com menos de 25 anos – e apresentando taxas de crescimento econômico robustas. Este vasto mercado, com sua juventude e dinamismo, representa uma fronteira promissora para o comércio e investimento brasileiros.

Fortalecendo Parcerias e o Multilateralismo

A importância dessa parceria bilateral foi ecoada pelo decano do corpo diplomático africano em Brasília, embaixador de Camarões, Martin Agbor Mbeng, durante a cerimônia no Itamaraty. Mbeng expressou gratidão pelo voto do Brasil na ONU, que reconheceu a escravidão de africanos como o maior crime contra a humanidade. Ele enfatizou que instituições brasileiras de renome, como a Fiocruz, Embrapa, CNPq e o Instituto Brasil-África, possuem um vasto potencial para construir programas de cooperação *com* a África, e não meramente *para* a África, sublinhando a necessidade de planejamento, responsabilidade e prestação de contas compartilhados em uma verdadeira parceria. Além disso, o diplomata camaronês elogiou a postura do Brasil em defesa de um sistema multilateral de comércio baseado em regras, particularmente na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma posição crucial no contexto geopolítico atual.

Desafios e Oportunidades no Comércio Bilateral

Apesar do profundo enraizamento histórico e do recente impulso diplomático, o fluxo comercial entre Brasil e África ainda revela um amplo espaço para crescimento. Em 2025, o continente africano representou apenas 5,70% do comércio exterior brasileiro, totalizando US$ 23,7 bilhões em corrente comercial, com um superávit de US$ 7,2 bilhões favorável à balança brasileira. Este volume contrasta significativamente com a Europa, que detém 31,95% do comércio, e a América do Sul, com 17,28%. O embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte reconhece a melhora nos últimos anos, mas reforça que há um potencial inexplorado, apontando o 'desconhecimento' mútuo de oportunidades como um desafio a ser superado para expandir ainda mais essa relação comercial.

A renovada aproximação do Brasil com a África demonstra um reconhecimento multifacetado: da dívida histórica à vasta oportunidade futura. Através de uma diplomacia ativa, da valorização de laços culturais ancestrais e de uma visão estratégica para a diversificação econômica, o Brasil busca consolidar uma parceria robusta e equitativa com o continente. As iniciativas atuais, que incluem desde acordos de cooperação em diversas áreas até fóruns de alto nível, como o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, apontam para um futuro de maior integração e colaboração mútua, superando desafios e aproveitando as vastas oportunidades que unem esses dois continentes.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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