STF Fixa Prazo para Plano Nacional de Combate a Incêndios Florestais em Face do El Niño
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu um prazo de 10 dias para que o governo federal e os estados que compõem a Amazônia Legal apresentem à Corte seus planos de contingência e estratégias de combate a um provável aumento nos incêndios florestais. A medida surge em resposta à iminência de eventos climáticos extremos, impulsionados pelo fenômeno El Niño, que já se manifesta e se projeta com alta intensidade, demandando uma ação coordenada e preventiva das autoridades.
Urgência Climática: O Alerta do Supremo e a Imposição de Prazo
A determinação do ministro Dino, relator de uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que já havia pautado a necessidade de providências governamentais contra a alta expressiva de incêndios, reflete a seriedade das projeções climáticas. A decisão foi embasada na confirmação de que o El Niño deverá provocar alterações significativas no clima brasileiro, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, com impactos historicamente relevantes.

Para embasar sua medida, o ministro fez referência a uma nota técnica conjunta, divulgada neste mês pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Este documento não apenas corrobora a expectativa de uma provável intensidade elevada para o El Niño, mas também sinaliza um cenário preocupante para a região, exigindo pronta resposta. O prazo estabelecido visa garantir que os executivos federal e estaduais demonstrem as providências de planejamento e preparação que estão sendo adotadas para enfrentar a situação, caso as projeções se concretizem.
Cenário de Risco Elevado: Projeções Científicas e Precedentes Históricos
A nota técnica do Inpe e Inmet detalha as condições que favorecem o agravamento dos incêndios. O documento adverte sobre o “Aumento do risco de fogo”, explicando que “Uma estação seca mais prolongada, combinada com temperaturas acima da média e baixos níveis de umidade relativa do ar, favorece condições de maior vulnerabilidade dos biomas amazônicos à ocorrência e propagação de incêndios florestais”. Esse panorama eleva a criticidade da situação, alertando para a necessidade de medidas robustas de prevenção e combate.
A preocupação se justifica por precedentes históricos. Estudos indicam que, em 2015, ano em que o El Niño também atingiu alta intensidade, a incidência de focos de fogo na Amazônia Legal registrou um aumento de aproximadamente 36% em comparação com a média dos 12 anos anteriores. Esse dado serve como um sombrio indicativo dos desafios que podem ser enfrentados, reforçando a urgência de um planejamento eficaz e bem-estruturado.
Desafios na Preparação e o Papel da Procuradoria-Geral da República
O ministro Dino também trouxe à tona preocupações manifestadas em uma reunião da Procuradoria-Geral da República (PGR) realizada em abril. Na ocasião, a PGR expressou seu receio tanto em relação à emissão de alertas eficazes sobre o fenômeno quanto à insuficiência de capital humano, especialmente servidores e meteorologistas, no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A escassez de recursos humanos e a capacidade de monitoramento são pontos cruciais que podem comprometer a resposta aos desastres, caso as projeções se confirmem.
A Continuidade da Supervisão Judicial e a Necessidade de Efetividade
A atuação do ministro Dino neste caso se insere no contexto de uma ADPF anterior, na qual o Supremo Tribunal Federal já havia determinado que o governo adotasse providências para mitigar a alta nos incêndios florestais em território nacional, especialmente durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, Dino mantém a supervisão ativa sobre o cumprimento dessas determinações, avaliando se as ações implementadas são adequadas e suficientes para enfrentar a magnitude do problema.
A nova imposição de prazo reforça a postura do STF em exigir transparência e proatividade do Poder Executivo, tanto federal quanto estadual, na defesa do meio ambiente e na proteção da população e dos biomas brasileiros contra os efeitos devastadores das mudanças climáticas. A Corte busca assegurar que a governança ambiental seja efetiva e que as estratégias de prevenção e combate a incêndios estejam alinhadas com as projeções científicas e com a capacidade de resposta necessária diante de um cenário de risco elevado.
A expectativa agora se volta para a apresentação dos planos, que deverão detalhar como o Brasil pretende se preparar e agir diante de um El Niño que promete intensificar os desafios ambientais e sociais nos próximos meses. A efetividade dessas medidas será crucial para minimizar os impactos e proteger o patrimônio natural e as comunidades afetadas.